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ALGARAVIA
Rua do Hospício, fechada há 23 dias, vira imenso buraco

por Ricardo Novelino

Um buraco aberto no meio da rua do Hospício, no Centro do Recife, está enlouquecendo os moradores e comerciantes da área. A cratera foi escancarada desde o dia 13 de abril para a realização de uma obra nos canos de esgotos e nas galerias de águas pluviais. Por ironia do destino, Governo do Estado e Prefeitura do Recife, parceiros políticos, transformaram um simples conserto numa intriga de siglas. Quem passa pelo trecho entre a avenida Conde da Boa Vista e rua Martins Júnior, perto do Teatro do Parque, encontra cavaletes da EMTU, placas da Emlurb e fitas de isolamento da Compesa. Apesar do excesso de nomenclaturas de diferentes órgãos públicos, atravessar a rua para comprar uma tapioca ou andar até o ponto do ônibus mais próximo virou motivo para boas vídeocassetadas.

Enquanto a lama bate na canela em dia de chuva e a areia cobre mais de 100 metros da rua, os diretores da Empresa de Limpeza Urbana (Emlurb) e Companhia de Saneamento de Pernambuco (Compesa) travam uma longa e penosa queda de braço para saber de quem é a responsabilidade pela novela da obra da rua do Hospício. Lembrando a linguagem dos lutadores de boxe, no canto direito do córner está a Emlurb. De acordo com a empresa, o buraco foi aberto para possibilitar uma obra de fresagem da rua. Ou seja, a retirada de asfalto danificado para a reposição do piso. Ficou constatada, no entanto, a necessidade de substituição de galerias. “A obra da Emlurb já está praticamente pronta. Só falta a Compesa terminar os serviços de saneamento, que estão atrasados”, afirmou Carlos Estima, diretor da empresa.

Do outro lado do empurra-empurra, a Compesa assegura que vem trabalhando até de madrugada para entregar os trabalhos. O problema, segundo a diretoria de obras da empresa, é o atraso nas escavações por parte da Emlurb. “Infelizmente, nem sempre dá para conciliar as duas obras. Para piorar ainda estamos no período chuvoso”, justificou Júlio Maia, da Diretoria de Obras. Enquanto as autoridades não se decidem, os comerciantes apelam para o fim do dilema. “Já estamos ameaçados de perder até o emprego por causa da queda do movimento, que já é de até 50%”, afirma a funcionária da Banca Cláudia Rosana Moura. Pelo andar da carruagem, os moradores e comerciantes vão ter que se contentar em cantarolar a música de Chico Science. “Da lama ao caos, do caos à Lama...”

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Jornal do Commercio
Recife - 10.05.2000
Quarta-feira