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LEVANTAMENTO
Cresce publicação de pesquisas brasileiras

O Brasil ocupa o vigésimo primeiro lugar na produção científica, mas é o segundo do mundo com maior crescimento em quantidade de artigos. “Em menos de 20 anos o País quase quadruplicou o número de trabalhos publicados em revistas de circulação internacional”, informou, ontem, o presidente do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), Evando Mirra, que participou de solenidade na Universidade Federal de Pernambuco (UFPE).

Mirra se baseia no índice de citações do ISI, sigla em inglês para instituto de informação científica. Segundo ele, em crescimento de artigos científicos publicados, o Brasil perde apenas para a Coréia do Sul. “Isso mostra que estamos no caminho certo”, acredita.

Outro indicador citado pelo presidente do CNPq é a quantidade de pesquisadores com doutorado no Brasil. Segundo ele, são quase 5 mil que se formam todos os anos. “Nos EUA, são 40 mil”.

Para o presidente da Academia Brasileira de Ciências, Eduardo Krieger, o número de doutores não é um parâmetro de desenvolvimento científico e tecnológico. “Nos EUA, os pesquisadores com doutorado são contratados mais pelas indústrias que pela universidade. No Brasil ocorre o contrário”, justifica o pesquisador.

Na opinião de Krieger, o conhecimento científico precisa ser aproveitado pelo setor industrial para poder contribuir efetivamente com o desenvolvimento.

De acordo com Mirra, o Brasil é líder em produção científica no Terceiro Mundo. Internamente, no entanto, essa produção está mal distribuída. A maioria dos recursos do CNPq vai para o Sudeste (66%). O Sul tem 16%; o Nordeste, 12%; o Centro-Oeste, 4%; e o Norte, 2%.

Mirra diz que o governo pretende reduzir essas diferenças destinando para o Nordeste e Centro-Oeste cotas mínimas obrigatórias de alguns dos fundos setoriais (recursos provenientes dos setores, a exemplo da indústria do Petróleo), que estão sendo criados. O primeiro deles, o do Petróleo, já teve o edital lançado. A criação de outros sete fundos está prevista em projetos de lei atualmente em tramitação no Congresso Nacional.

Estimativas do secretário estadual de Ciência, Tecnologia e Meio Ambiente, Cláudio Marinho, apontam que haverá cerca de R$ 20 milhões anuais para Pernambuco a partir dessa decisão do CNPq.

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Jornal do Commercio
Recife - 10.05.2000
Quarta-feira