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COMPORTAMENTO II Pais devem observar atitudes dos filhos Um fato recentemente divulgado pela mídia é o retrato de um importante problema de saúde pública: o suicídio na adolescência. O garoto R.D.S., 11 anos, morreu semana passada depois de ter tentado se suicidar amarrando o pescoço com uma fralda de pano e se pendurando no basculhante do quarto dos pais. R. foi socorrido e ficou em estado de coma na UTI do Hospital Otávio de Freitas. Os pais do menino disseram à Imprensa que nunca imaginavam que isso pudesse acontecer, apesar de ele sempre ter manifestado a vontade de morrer. Em casa, ele vivia brigando com a irmã mais velha e na escola também não estava bem. Este caso vem somar aos dados da Sociedade Brasileira de Pediatria, que coloca o suicídio na adolescência como a segunda causa de morte, atrás apenas dos acidentes em geral. Mesmo assim, o suicídio é relativamente incomum antes da puberdade e aumenta após os 16 anos, com maior freqüência entre pessoas com 18 a 24 anos. Aparentes sintomas depressivos são sinais de alerta aos pais. Um jovem que ameaça ou tenta suicídio está revelando um completo colapso dos mecanismos de adaptação social e precisa urgentemente de auxílio especializado, ressalta a psiquiatra Miriam Pimentel. O jovem pode tentar suicídio de uma maneira inconsciente, envolvendo-se em acidentes automobilísticos ou procurando situações de perigo. Muitas vezes a depressão surge do sentimento de abandono. A falta de cuidados e limites é angustiante para o adolescente. Na tentativa de buscar limites que os pais não conseguiram colocar, o adolescente cria suas próprias situações, diz a psicóloga Maria Cicília Ribas. Para a psiquiatra Gilvanice Noblat, a tentativa de suicídio é mais um pedido de socorro do que um real desejo de morte. Não é para menos que a maioria das tentativas são frustradas, diz. De acordo com as publicações médicas do Drug Abuse and Mental Health Administration, de 1990, para cada suicídio de um adolescente, existem 10 tentativas. Segundo os especialistas, qualquer manifestação, no entanto, merece atenção redobrada dos pais e também dos professores. É importante estar atento às atitudes do jovem que está considerando o suicídio. Ele pode insinuar que é um fardo para os demais e que em breve deixará de prejudicar os outros. Pode dizer que a vida não tem sentido de ser vivida e que a sua morte seria um alívio para todos. Os adolescentes que tentam suicídio sentem-se sós e desesperados. MOTIVOS A causa real do suicídio está na tensão emotiva, que se torna insuportável, responde Pimentel. Essa tensão pode ter origem no exterior, por exemplo, numa autoridade paterna demasiada forte, em obstáculos levantados à satisfação de desejos ou de projetos (razões sentimentais), em situações de oposição e em contrariedades ligadas à escolha da profissão (oposição dos pais, etc). Certos adolescentes também não conseguem suportar a tensão provocada pela vida escolar, cada vez mais prolongada, ou pela escolha profissional num mercado de trabalho excessivamente competitivo, assim como pelo sentimento de culpabilidade resultante de certos divertimentos ou de tabus sexuais.(J.M.) |
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