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COMPORTAMENTO IV Nas crianças sintomas são mais claros Segundo dados da Organização Mundial de Saúde (OMS), a depressão é um mal que também atinge o público infantil, com índices alarmantes de ocorrência em 20% das crianças brasileiras. Apatia, hiperatividade, insônia ou sonolência exagerada e comportamentos autodestrutivos são alguns sinais da doença que passam, às vezes, despercebidos dos pais. Um descuido neste sentido pode desencadear estados depressivos ao longo de toda a vida, deixando marcas profundas, que vão interferir não só na infância, mas também na adolescência e na vida adulta. Alguns especialistas chegam a afirmar que muitos acidentes na infância surgem de estados depressivos. Se a criança tende a se acidentar com freqüencia, os pais devem ficar atentos. Sentimentos depreciativos são bastante comuns em quadros depressivos, explica a psicóloga clínica infantil Guiomar Marques Gouvêia. A depressão pode atacar na pré-escola, quando a criança apresenta distúrbios de fala, dificuldade para comer ou chora sem motivos. Uma fase difícil vivida pela criança é enfrentada durante a alfabetização. No pensamento dela, a escola deixa de ser um lugar de brincadeiras, passando a haver cobranças dos professores e dos pais nos estudos. De acordo com a psicóloga, crianças que vivem confinadas em apartamentos estão mais propícias a desenvolver manifestações depressivas. Sem espaço para brincar, destinada apenas ao lazer eletrônico, como a televisão e o vídeo game, essas crianças sentem-se muito solitárias. A convivência com os pais e atividades esportivas podem amenizar as conseqüências. Quando diagnosticada, a depressão infantil, geralmente, deixa os profissionais de saúde diante do dilema de usar ou não remédios antidepressivos. Alguns casos de depressão possuem características orgânicas, nos quais são necessários, tanto a criança como o adulto, serem medicados, explica Guiomar Marques. Em geral, os antidepressivos são indicados apenas quando o esforço familiar, a ajuda da escola e a terapia não fazem a criança melhorar. Na maioria das vezes, no entanto, outras formas de tratamentos são mais aconselhadas, como a ludoterapia, um processo terapêutico desenvolvido por Melanie Klein. O acompanhamento psicológico é realizado colocando a criança em contato com brinquedos, desenhos, modelagem e pinturas. A verbalização do sofrimento, muitas vezes, não consegue ser feita pela criança e a brincadeira é uma forma de externar os sentimentos. Desta maneira, a criança tem condições de recuperar o ânimo pela vida, ao compreender, por meio da linguagem infantil, a causa de sua angústia, diz. (J.M.) |
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