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EFEITO COLATERAL Idosos podem amenizar desconforto causado pela chamada boca seca A terceira idade geralmente é acompanhada de mudanças fisiológicas do organismo, resultantes de um envelhecimento natural. Porém, podem ocorrer também algumas mudanças patológicas decorrentes e agravadas nessa fase da vida. A maioria das alterações da mucosa oral entre os idosos, por exemplo, é devido à xerostomia, ou vulgarmente chamada de secura bucal, resultante da degeneração avançada das glândulas salivares, que pode ser parcial ou total, transitória ou definitiva. Com o passar do tempo, há uma diminuição do volume de saliva secretada e o ressecamento da boca aparece como uma das queixas mais comuns entre as pessoas idosas. A redução do fluxo salivar e conseqüente lubrificação dos tecidos orais acabam afetando a mobilidade da língua e a facilidade de deglutição dos alimentos. O resultado dessa deficiência é o aparecimento de cáries, gengivites, sensação de ardência na língua, diminuição do gosto, mau hálito e dificuldade para falar. Geralmente os pacientes com essa doença sentem a necessidade de tomar água no meio da noite, várias vezes. O uso de aparelhos, como as dentaduras, também é prejudicado pela presença de dor e sensação de ardência na mucosa. Atualmente, a xerostomia afeta três em cada 10 adultos, sendo de 20% a 25% o público de idosos. Alguns distúrbios que afetam a atividade glandular, entre os quais a diabete senil, depressão e hipertensão podem provocar o aparecimento da doença, ressalta a dentista Silvana Pereira, pesquisadora na área que apresentou um trabalho específico sobre o tema durante o 11º Congresso Pernambucano de Odontologia, realizado na semana passada, no Centro de Convenções. Silvana diz que a xerostomia total é rara, podendo ser encontrada também em pacientes portadores da síndrome de Sjögren ou ser secundária devido ao tratamento de tumores na região de cabeça e pescoço por radioterapia. EFEITO COLATERAL A causa mais freqüente, no entanto, é o uso de medicamentos prescritos para tratar de doenças comuns nesta faixa etária. Estima-se que mais de 80% das xerostomias são causadas pelo efeito colateral de medicamentos, principalmente, daqueles utilizados para o tratamento da depressão, explica a dentista. Segundo ela, existem, na verdade, mais de 500 especialidades farmacêuticas que causam secura na boca, só que em graus variados (ver quadro ao lado). Com exceção dos antidepressivos tricíclicos, muitos outros medicamentos, como os antialérgicos, cujo efeito inibitório é precoce e acentuado, o efeito indesejável de boca seca só se manifesta de forma incômoda durante tratamentos prolongados e às vezes nos casos de posologia pesada (altas doses). Nem sempre seu diagnóstico é evidente, mas já existe tratamento. Além de estar atento aos sintomas, a visita regular ao dentista é uma consideração básica. Depois de constatado o problema pelo cirurgião-dentista, o tratamento deve seguir em perfeita colaboração com o médico do paciente, que pode considerar a substituição dos medicamentos causadores de secura bucal ou reduzir a posologia, quando for possível. Para suprir as causas da infecção é necessário manter a boa higiene bucal, com direito a aplicações de fluoretos, remoção do tártaro, placa bacteriana, aumento significativo do consumo de água, assim como exercícios freqüentes de estimulação mastigatória. Cada causa, no entanto, pode indicar um tipo específico de tratamento, salienta Silvana. Nos casos onde o tecido salivar ainda é funcional, o emprego de substâncias derivadas de plantas (fitoterapia) e de estimulantes mecânicos como chicletes dietéticos, balas duras dietéticas e bochechos de água mineral com gás ou refrigerante dietético, é uma forma de estimular o fluxo salivar. Alguns casos mais graves, como a atrofia definitiva do tecido salivar em decorrência da radioterapia, necessitam de terapia de substituição e da saliva artificial como medida paliativa, mas é uma alternativa bastante dispendiosa para o paciente. Sendo assim, é mais sugerido a aplicação de substâncias lubrificadoras das mucosas bucais, como géis importados ou até manteiga e margarina, em tratamento caseiro de alívio ao paciente. (J.M.) |
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