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DOENÇAS
É possível evitar lesões na retina

Míopes com mais de 3,5 graus, diabéticos e hipertensos podem ter lesões imperceptíveis na retina que, de uma hora para outra, provocam descolamento a ser corrigido em cirurgias de emergência para evitar a cegueira total. Por este motivo, as campanhas de prevenção de lesões são cada vez mais defendidas em congressos internacionais de oftalmologistas.

Para Hélder Costa, do Centro de Oftalmologia Especializada do Rio, a prevenção é relativamente simples. Basta um exame regular de fundo de olho, feito no próprio consultório médico. O resultado, segundo ele, é compensador. Diagnosticadas previamente, as lesões podem ser corrigidas antes que a cirurgia chegue a ser inevitável. “Qualquer exame oftalmológico comum deve incluir o exame de fundo de olho, especialmente se o paciente é diabético ou hipertenso”, diz.

No caso de míopes altos (com mais de 3,5 graus), são indicados oftalmoscopia indireta (exame da parte periférica da retina) e biomicroscopia com cristal (dilatação da pupila feita a partir de uma lente coberta por gel). “Se forem tratados precocemente, com técnicas de laser, a cirurgia será desnecessária.”

Segundo o médico, míopes altos devem fazer exames de fundo de olho a cada seis meses. Mas também diabéticos e hipertensos devem ser examinados periodicamente. “O diabetes é a maior causa de cegueira no mundo, em adultos que não sofriam de problemas visuais.

O tratamento depende da evolução da doença. O diabético deve fazer um exame de mapeamento da retina, que é o exame de fundo de olho completo, e ainda angiografia fluorescênica, para detectar possíveis lesões.”

Já o oftalmologista Antonio Elias comenta que o exame de fundo de olho não só previne lesões da retina em hipertensos como ajuda a diagnosticar a hipertensão em pessoas que não sabiam ser portadoras da doença. “No caso de grávidas, por exemplo, que sofrem de hipertensão arterial, o exame de fundo de olho pode fornecer este diagnóstico. Ele não só revela a doença, mas indica se é recente ou de longa data”, diz.

Portadores de doenças reumáticas, usuários de cloquina (substância usada no tratamento anti-malária), e dificuldade de adaptação ao escuro, também são indicações para exames da retina. Até crianças devem fazer o exame de fundo de olho, especialmente as prematuras, que podem sofrer de retinopatias decorrentes da prematuridade, e as estrábicas.

“A criança estrábica pode ser portadora de má-formação da retina ou até de um tumor no olho”, adverte Costa. A retina pode se descolar total ou parcialmente, mas a indicação cirúrgica é imediata, para evitar o risco de cegueira irreversível.

O primeiro sintoma é uma sensação de flash, seguida da visão de pontas e linhas pretas móveis ou de uma mancha escura fixa que vai aumentando progressivamente e turvando a visão.

<CF20>Há ainda as técnicas de relaxamento da musculatura do olho, conhecidas como self-healing (auto-cura) e difundidas pelo americano Meir Schneider, um ex-cego considerado irrecuperável por especialistas da Europa e Estados Unidos. Ele recuperou a visão com exercícios musculares.

A terapeuta visual Maria Lucia Agostini, que estudou com Schneider nos EUA, explica que a prática clínica vem comprovando que a musculatura, estressada e contraída, altera estruturalmente o globo ocular e prejudica a visão. Por esta razão, exercícios de relaxamento da musculatura ocular podem melhorar a visão de míopes, estrábicos, prevenir e regredir lesões na córnea e na retina.

“Temos que aprender que vemos melhor quando olhamos com o olho solto. Quando fixamos o olho, franzimos a testa, estamos estressando a musculatura e não enxergamos bem. Nestes momentos, devemos fechar os olhos, respirar para depois abrir e deixar a imagem entrar”, diz.

Maria Lucia, a exemplo de Schneider, tornou-se terapeuta também por um problema pessoal. Tinha uma degeneração progressiva da córnea, considerada irreversível, mas ficou boa após praticar com afinco os exercícios de relaxamento muscular.

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Jornal do Commercio
Recife - 07.05.2000
Domingo