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CONDICIONAMENTO
Defesa pessoal está em alta nas academias cariocas

por Marcia Cezimbra
Da Agência Globo

A agressividade da vida urbana lança moda nas academias de ginástica do Rio de Janeiro. Aulas que misturam golpes de capoeira, boxe, caratê e artes marciais como o tai-kwon-do e o tai-chi-chuan são a última palavra – ou o último movimento – em matéria de condicionamento físico. Além da perda de 500 a 800 calorias com socos e pontapés em alta velocidade, o aluno de body combat, tae-bo, hidroboxe ou ki-bo-ae sai da academia com agilidade e equilíbrio para se livrar, por exemplo, de um agressor ou de um assaltante, personagens cada vez mais comuns do cotidiano.

De acordo com o professor Leonardo Fulchignoni</DC> a intenção das novas modalidades é fazer com que o aluno de body combat, por exemplo, aprenda a dar cotoveladas e a se defender de alguns golpes. “Ele vai aprimorar também a amplitude e a velocidade de movimentos, a flexibilidade, a força, a coordenação e o equilíbrio, adquirindo maior auto-confiança”, diz.

O body combat é um novo programa de ginástica da empresa Les Mills, da Nova Zelândia, que lançou há três anos o body pump, outra modalidade de ginástica com uso do máximo possível de sobrecargas. Agora, o body combat se espalha por diversas academias do Rio de Janeiro e que ainda não chegaram ao Recife.

A professora Júlia Rodrigues, por exemplo, levou o boxe para dentro d’água. “É um trabalho específico de intensa atividade cardiorrespiratória, porque os socos enfrentam a resistência da água”, explica.

ORIGEM – Já o tae-bo, que mistura golpes de boxe e luta oriental tae-kwon-do, foi criado por um professor de artes marciais, o inglês Billy Blanks, radicado em Los Angeles. Um dos pioneiros no Brasil é o professor Vinício Anthony.

Faixa-preta de caratê, Vinício conheceu o trabalho de Blanks numa de suas competições na Califórnia e trouxe a aula para o Rio. “A grande vantagem do tae-bo é que, além de malhar com alta intensidade e obter grande perda calórica, o aluno ganha equilíbrio e coordenação e acaba aprendendo movimentos de luta como bloqueios, ataques e esquivas. Leva isto de brinde. É diferente do sujeito que fica pedalando numa bicicleta ergométrica e não aprende nada”, comenta Vinício, que incluiu movimentos de caratê no tae-bo americano.

A mistura de luta e música eletrizante foi perfeita para a inclusão também da capoeira nas coreografias do tae-bo. A professora Bianca Hermanny levou para a aula sua experiência de dez anos de capoeira e sete como instrutora de boxe.

Ela ressalta as qualidades do brasileiro, principalmente a criatividade utilizada na hora de aprimorar as coreografias. “Sou exigente com o som também. Não gosto só de tecno. Gosto de malhar com black music, com Santana. E os alunos adoram”, festeja Bianca Hermanny.

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Jornal do Commercio
Recife - 07.05.2000
Domingo