LG_jc.gif (3670 bytes)

MOSAICOS
Mais alegria dentro de casa

por Moema Luna

Para ocupar espaços na hora de finalizar a decoração ou só tirar um pouco a sisudez do ambiente, o recifense descobre a força do mosaico. Os pedacinhos de cerâmica, azulejo e pastilhas de vidro coloridos convencem de que é necessário dar mais personalidade aos cômodos, seja a partir de pequenas peças ou de detalhes no mobiliário.

Os registros na utilização da técnica advêm de épocas milenares, principalmente na construção de igrejas e sobrados. Mais recentemente, na arquitetura do século 20, o espanhol Antoni Gaudí foi a maior referência ocidental no uso do mosaico. Hoje o recurso entra na decoração de ambientes e menos, muito menos, na construção.

Arquitetos e artesãos advertem para que se evitem exageros. As peças, em geral muito coloridas, podem poluir o ambiente. O ideal é lançar mão de poucas peças, distribuídas em espaços diferentes.

A arquiteta Glauce Botelho atribui todo esse cuidado à tendência clean da arquitetura contemporânea, mais de acordo com as linhas retas, avessa a abusos e rebuscamentos. Tudo em nome da harmonia. Mesmo assim, Glauce reconhece no mosaico um recurso que não se pode desprezar. Ela o utiliza principalmente em pisos e detalhes de parede.

FANTASIA – No Recife, a mosaicista Virgínia Menezes aproveita sucata de ferro, sobra da fábrica de estruturas metálicas do marido, Eduardo, para fazer uma associação feliz com o mosaico. As peças transformam cômodos em ambientes para sonhar.

Virgínia compara o mosaico à dinâmica existencial. “A vida se encarrega de tirar uma coisa da ordem, levar para o caos e recolocar na ordem novamente. Acontecem mil coisas na vida das pessoas, elas se deparam com os pedacinhos e depois têm que colar os caquinhos. Assim é o mosaico”, define.

Peixes, pássaros e flores são os temas mais freqüentes nas molduras de espelhos, enfeites de parede e castiçais criados por ela. Alguns trabalhos são mais valorizados por azulejos comprados em antiquários, pedaços de madeira antiga ou restos desprezados pelas indústrias. Os preços das peças variam de R$ 6 a R$ 150. Com pouco dinheiro dá para renovar a casa ou o escritório.

SOBRIEDADE – Ao contrário de Virgínia, a artesã Marta Moreira, há três anos no mercado, prefere aplicar o mosaico na restauração de móveis. E o que mais lhe estimula é transformar o velho no novo. Prefere os tons neutros, usa o colorido apenas para agradar a clientela. Gostaria mesmo era de poder fazer um trabalho mais de acordo com as linhas clássicas.

Mas enquanto a encomenda não chega, continua fazendo tampos de mesa para casas de praia, além de objetos como porta-chave, caixinhas de madeira, espelhos de luz, porta-guardanapo e porta-retrato, molduras para espelhos, cinzeiros, entre outros objetos. Nos pisos prefere usar a pastilha de vidro, mais cara, por ser importada do México e Argentina, porém, mais resistente.

Em média, um simples banco de feira ganha vida nova com o mosaico e chega a custar R$ 50, trabalhado em azulejo. Uma mesa de 45 a 50 centímetros de diâmetro custa em torno de R$ 120 a 150.

Marta ainda oferece curso de mosaico em seu ateliê. Quatro aulas, cada uma com cerca de três horas de duração, custa R$ 150, em turmas de três alunos.

Serviço
As duas artesãs expõem nos mercados pops da cidade. Os telefones de Virgínia Menezes são: 9127.5411 e o 227.4503. Os de Marta Moreira são: 241.6802 ou 9145.0922.

_________________________________________


Jornal do Commercio
Recife - 07.05.2000
Domingo