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EDUCAÇÃO IV
Kidlink faz 10 anos e aldeia fulni-ô ganha computadores

Antes mesmo de maiores discussões ou conhecimentos sobre os conceitos e métodos do ensino a distância, eles já promoviam a troca de informações entre as crianças de várias partes do globo. Entidade de origem norueguesa sem fins lucrativos e cujo objetivo é reunir jovens de até 15 anos em diálogos de abrangência mundial, a organização não-governamental Kidlink faz 10 anos esta semana.

No Recife, a Kidlink atua em parceria com a Secretaria Municipal de Educação, no projeto Telemática na Educação, coordenado pela professora Sônia Sette. “É uma oportunidade de desenvolver, na prática, paradigmas educacionais inovadores, que dificilmente seriam implantados de outro modo”, acredita Sônia. Para comemorar os 10 anos da ONG, a Prefeitura preparou diversas atividades para os alunos de oito escolas da Rede Municipal.

O destaque das comemorações é o KidArch, que pretende estimular o conhecimento e o trabalho de pesquisa em relação à cultura, fauna, flora e história pictórica dos países participantes. Os alunos vão visitar os sítios arqueológicos, em companhia de professores e produzir textos informativos dos passeios. “Não é um tema que integra tradicionalmente o currículo. Será uma experiência riquíssima, pela multidisciplinariedade do assunto”, defende Sônia.

Outro projeto immportante envolvendo a Kidlink e a Secretaria é o Infotaba, para apresentação da informática às comunidades indígenas. O sucesso foi tão grande que, no mês passado, foi inaugurado o primeiro laboratório de computação – plugado à Internet – dentro de uma aldeia indígena. Os índios fulni-ô, cuja comunidade fica próxima à cidade de Águas Belas, foram os privilegiados. Laboratórios semelhantes serão construídos na Bahia, Ceará, Mato Grosso, Minas Gerais e Santa Catarina. “Estamos prevendo para julho deste ano um congresso para discussão da presença da informática no dia-a-dia dos índios”, adianta Sônia.

Os parceiros da Kidlink podem sugerir projetos ou participar das iniciativas mundiais da entidade. O programa Brincadeiras de Ontem e de Hoje, por exemplo, partiu de uma idéia da Prefeitura e foi aplicado em todo o mundo por dois anos, numa tentativa de resgatar as brincadeiras mais simples da infância, promovendo a troca de conhecimento entre as crianças pesquisadoras.

Em desenvolvimento atualmente, o “Who am I?” é um projeto sugerido pelo núcleo central da Kidlink, sendo adaptado ao hemisfério sul de acordo com o calendário letivo. “A intenção é mostrar como são importantes valores como ética, família e as raízes de seu país ou cidade”, explica Sônia Sette.

PARTICIPAÇÃO – Desde sua fundação, cerca de 175 mil jovens de 131 países participaram das atividades oferecidas pela Kidlink. Utilizando as facilidades da Internet – correio eletrônico, listas de discussão, canais de bate-papo e sistemas de videoconferência –, a Kidlink traduz seus projetos para diversos idiomas, entre eles hebraico, islandês, macedônico, esloveno, turco, línguas nórdicas, além dos tradicionais inglês, francês, alemão, espanhol, italiano e português. (F.B.)

SERVIÇO

www.kidlink.org

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Jornal do Commercio
Recife - 10.05.2000
Quarta-feira