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ESTRATÉGIA
Guerrilheiros escapam de cerco levando os 21 reféns nas Filipinas

MANILA – O grupo guerrilheiro islâmico Aub Sayyaf rompeu o cerco militar e escapou com os 21 reféns do local na ilha de Jolo – a 900 km ao sul de Manila – onde os mantinham em cativeiro, informou ontem o ex-negociador-chefe filipino Mur Misurari.

Misurari, que ontem foi substituído pelo muçulmano Ghazali Ibrahim, confirmou que os rebeldes independentistas escaparam na segunda-feira à noite e conseguiram levar os reféns a outros esconderijos, separando-os em pequenos grupos. “Fizeram isso para confundir a todos”, acrescentou o chefe de polícia de Jolo, Candido Casimoro. Segundo uma fonte policial, os rebeldes teriam levado os reféns para a aldeia de Panzol, a 20 km da zona onde se encontravam, perto de Talipao.

Conforme as primeiras informações, os guerrilheiros utilizaram 16 Jeeps para escapar com os reféns, o que levou a imprensa a questionar como a movimentação dos veículos não chamou a atenção dos militares que patrulham Jolo. Analistas, contudo, não excluem a hipótese de que o exército – que pede carta branca para lidar com os rebeldes – tenha recebido ordem para agir com a máxima cautela.

Também ontem chegou a Manila o alto representante da União Européia para a política exterior, Javier Solana, que foi recebido pelo presidente filipino, Joseph Estrada. A chegada de Solana pode significar uma mudança radical no seqüestro. “Talvez em poucos horas tenhamos boas notícias”, prometeu Solana.

A esperança da liberação dos reféns aumentou ontem com a entrada em cena de novos negociadores, entre eles um diplomata líbio. Mas não foi possível se dissipar a confusão sobre o paradeiro dos reféns. Um conselheiro próximo do presidente filipino, Robert Aventajado, e o ex-embaixador da Líbia em Manila, Rajab Azzaruk, chegaram ontem pela manhã à capital filipina para participar das negociações com o grupo Abu Sayyaf, que tem em seu poder os reféns desde 23 de abril.

Azzaruk disse que conhece pelo menos um dos líderes rebeldes, depois de ter negociado com ele em 1993 a liberação de um americano, refém durante 23 dias. A presença de Azzaruk era uma das exigências do grupo Abu Sayyaf para iniciar negociações, segundo uma carta que enviaram a Estrada.

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Jornal do Commercio
Recife - 10.05.2000
Quarta-feira