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NA GRANDE ÁREA
Armando Nogueira

O Gama dançou

Está nascendo a liga nacional de clubes. Seria o caso de soltar rojões de contentamento? Seria o ato que faltava pra libertação dos clubes, até aqui meros reféns da CBF, das federações? Aparentemente, sim. No duro, no duro, pouco muda além do que já vem mudando, com os anos. O Clube dos Treze, que hoje são 20, já tem pleno controle do campeonato brasileiro. Há três/quatro anos, a CBF rói o osso do campeonato: banca bola, árbitro, infra – é tudo por conta dela. Os clubes fazem a tabela, negociam os direitos de tevê, inclusive placas, embolsam a bilheteria. É deles o filé mignon.

A decisão do Clube dos Treze tem claros objetivos: primeiro, rifar o Gama do campeonato. Gama, que todos se lembram, ignorou a justiça esportiva da CBF e caiu na besteira de ir cobrar na justiça comum o suposto direito de disputar o brasileiro. Dançará, mesmo.

Além de queimar o Gama, a liga traz de volta à primeira divisão o Fluminense e o Bahia. E mais: daqui pra frente, fundador do Clube dos Treze tem cadeira perpétua no campeonato brasileiro. Adeus segundona! Adeus, terceirona pros 13 da primeira hora, a saber: Vasco, Flamengo, Fluminense, Botafogo, São Paulo, Palmeiras, Corinthians, Santos, Inter, Grêmio, Atlético Mineiro, Cruzeiro, Bahia.

TELÊ, UM APÓSTOLO - Está na praça o livro Fio de Esperança, biografia de Telê Santana. Mais que uma homenagem a uma das figuras mais notáveis do futebol, a obra contribui pra imortalizar um apóstolo do nosso amado esporte. Telê Santana deu sangue, suor e lágrimas em defesa da escola brasileira de jogar bola.

Caro Leitor, por favor. É uma história comovente. Comece pelo brilhante prefácio, de Juca Kfouri, que diz assim: “Qual Telê? O Telê sério, rabujento, quase intratável? Ou o Telê alegre, piadista, pregador de peças? O Telê leal, solidário, afetuoso? Ou o Telê dissimulado, solitário, frio? O Telê ganhador ou o Telê perdedor? O Telê autoritário ou o Telê democrático? Todos esses Telê Santana estão nesta biografia, mais um belo trabalho do jornalista André Ribeiro.”

RÁPIDAS E RASTEIRAS – Vi Guga estrear no Aberto de Roma. O rival, um francês canhoto chamado Jerôme Golmard. Pelo punhado de aces (13), Guga está curado da lombalgia. No mais, a esquerda de Guga funcionou à perfeição. Admirável a coleção de paralelas e cruzadas. Como é bonito o tênis de Guga que ele está iluminado. Foi dois a zero, em menos de uma hora. ***** Nunca é tarde pra celebrar a ressurreição do América F.C. Rubros aplausos pra aquecer o coração de Max Nunes, de Giulite e do Zé Trajano. “Hei de torcer, torcer, torcer / Hei de torcer até morrer, morrer, morrer / Porque a torcida americana é toda assim, a começar por mim”. Rubras saudades de Lamartine Babo. ***** Há dias, citei a frase “Futebol não é uma questão de vida ou morte; é muito mais que isso.” Não mencionei o autor por pura falta de informação. Agora, me chega uma luz de um leitor, Arismar Valente da Silva Junior, que vive em Bruxelas, Bélgica. É dele que me vem a dica: o autor da frase é Bill Shankley, legendário treinador do Liverpool. Gratíssimo, caro Arismar. ***** Sempre que alguém escreve sobre o Athirson faz logo a ligação: Athirson é o novo Roberto Carlos. Pois me permito fazer uma observação: Athirson, pra mim, é bem mais que o novo Roberto Carlos. É de estilo bem distinto do titular da Seleção nacional: Roberto Carlos é essencialmente um jogador de defesa que se vale da força pra apoiar o ataque; Athirson é um atacante nato que usa o talento pra defender. Em suma: Athirson pertence muito mais à respeitável linhagem de Nilton Santos do que Roberto Carlos. ***** Confesso que cansei de explicar aos leitores minha posição a respeito das firulas de Pedrinho, no recente Flamengo-Vasco. A moçada insiste em afirmar que eu prefiro a botinada à finesse. Na realidade, o que está em jogo, em casos como o de Pedrinho, não é o arabesco e sim o contexto em que é consumado o gesto. Não adianta isolar o ato das circunstâncias em que acontece. Como bem disse, certa vez, mestre Zuenir Ventura, falando do ofício de escrever: “Não existe texto sem contexto”. ***** O casal Gerard-Margi Moss fez uma palestra no Clube Esportivo de Ultraleve (CEU) sobre a maravilhosa aventura dos dois que fizeram a volta ao mundo, voando um monomotor brasileiro ( um avião Sertanejo). O relato é tão emocionante que me levou às lágrimas. Que bela odisséia! ***** Em agosto, São Paulo vai hospedar um evento chamado Futebol S/A que tem como idealizador principal o presidente João Havelange. Será uma feira internacional com a participação de todos os segmentos do futebol-negócio. Haverá, também, debaixo do mesmo guarda-chuva um congresso de técnico e de medicina esportiva. Estão sendo convidados pra dar maior realce ao congresso duas personalidades européias: o técnico Cruyff e o médico Gérard Saillant, operou o joelho de Ronaldo e Johan Cruyff.

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Jornal do Commercio
Recife - 10.05.2000
Quarta-feira