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SÃO BENEDITO DO SUL Para relaxar, um bom banho gelado por Julliana de Melo Com paisagem exuberantemente verde e clima bucólico, o município de São Benedito do Sul, localizado entre a Zona da Mata Sul e o Agreste pernambucano, guarda aos visitantes cenários que aliam beleza e simplicidade. Cachoeiras, fontes de água mineral, bicas naturais e vegetação remanescente da Mata Atlântica compõem a paisagem da região, considerada um forte atrativo natural para o turismo ecológico e rural. No caminho, quatro casas de farinhas, sítios, fazendas, engenhos - inclusive um engenho a vapor em fase de restauração -, vacarias, passeios à cavalo, criação de galinha de capoeira e minhocário. São Benedito do Sul, no entanto, indubitavelmente, se destaca dentro do turismo ecológico. O município possui uma média de 15 a 20 áreas de banho, incluindo mais de dez cachoeiras com quedas dágua que variam de 3 a 20 metros de altura. Para chegar às cachoeiras, o turista tem que ter bastante disposição e bom senso. Nada de exagerar no chamado espírito aventureiro. Muitas delas estão localizadas em lugares quase perdidos, desconhecidos até pelos moradores da região. O ideal é procurar um guia da cidade para mostrar todo o caminho. O roteiro é cheio de trilhas interessantes, mas pode se transformar num perigo em potencial para os visitantes mais desavisados, que correm o risco de acabar se perdendo antes mesmo de conseguir avistar uma única queda dágua. O acesso é difícil, principalmente, em dias chuvosos. As estradas de barro viram lama e muitos veículos desapropriados acabam ficando no meio do caminho, o que não chega a impedir, contudo, o sabor da aventura. Até porque é exatamente no período de inverno que as cachoeiras estão mais bonitas, jorrando água em abundância. Nesse caso, para evitar transtornos, os jipes são o transporte mais indicado para esse tipo de passeio. Em alguns momentos, para merecer um bom banho, é necessário se adaptar ao velho estilo Indiana Jones, andando por pequenos caminhos mata adentro, subindo morros e atravessando pontes de madeira, tudo sob uma temperatura que chega a quase 40 graus. Todo o esforço, porém, é válido quando a pessoa se depara com as cachoeiras de águas cristalinas, que brotam de pequenas nascentes, desabando nos paredões rochosos que completam a paisagem. O município é drenado pela Bacia Hidrográfica do Una, tendo o Rio Pirangi como um dos seus principais recursos hídricos. Em alguns trechos urbanos, o rio encontra-se poluído e impróprio para banho, mas a maioria das cachoeiras possui água limpa, boa até para beber. A distância entre elas varia de 7 a 15 quilômetros. Uma das mais procuradas é a Peri-Peri, que pertence a uma antiga usina de cana, que funcionava até a década de 60. No silêncio do caminho, é possível escutar com exatidão o barulho da força das quedas, protegida pela vegetação. Para chegar a elas, é preciso encarar (com muito cuidado) uma descida de 100 metros em terreno bastante acidentado e escorregadio. O que se vê é uma recompensa. Numa região de resquícios de Mata Atlântica, acompanha-se um percurso de sete quilômetros na mata, onde as diversas quedas dágua vão surgindo a cada passo. A maior chega a 20 metros de altura. No pequeno povoado de Brejinho, duas cachoeiras se destacam: a Poço do Soldado e a Aritana. Esta última é um prato cheio para os aventureiros. Crianças e idosos, nesse caso, ficam de fora. O percurso é bastante íngreme, sendo necessário caminhar no meio do mato por mais de 200 metros até chegar a ela. O banho é tranqüilo. Sem pedras que dificultem o mergulho, a cachoeira é um convite para relaxar. Apesar de também não ter uma queda muito grande, a cachoeira do Poço do Soldado é uma das mais populares da região. A queda d'água possui 5 metros de altura e 1,5 metros de profundidade. Dizem alguns freqüentadores que a força da água massageia o corpo e a mente. Não é para menos, se apenas a beleza da cachoeira não for suficiente para impressionar, a paisagem ao redor certamente o fará. Entre a variedade de plantas, é possível encontrar com facilidade espécies de helicônias, plantas ornamentais de colorido intenso, que acompanham as margens. Vale conhecer também a cachoeira do Poço do Caboclo e a do Sítio do Cajá, ambas com 10 metros de queda. Uma outra, é a Empresa, que já gerou energia para a cidade até os anos 60, antes do fornecimento de Paulo Afonso. Todos esses passeios pedem, no entanto, um comportamento ecologicamente correto do turista, ou seja, não deixar vestígios da visita, nem levar nada de lembrança, a não ser fotografias, claro! INVESTIMENTOS - O turismo aparece como uma solução, ainda que não muito estruturada, para o desenvolvimento econômico do município. Recursos naturais a cidade tem de sobra. Em termos de estrutura, no entanto, São Benedito só possui duas pousadas com capacidade máxima de atender apenas 50 pessoas. As estradas são de difícil acesso e não possuem sinalização. Segundo o prefeito Fábio Dantas, o fluxo de turistas não aumenta mais por falta de estrutura e mais interesse do Estado. Em 98, o município foi contemplado com o selo da Embratur como potencialidade turística pernambucana e foi considerado o maior recurso hídrico do Estado pelo Inventário da oferta turística de Pernambuco, elaborado pela Empetur. Os títulos são mais que merecidos, mas os investimentos não vieram com eles. A cidade não vai conseguir sozinha essa façanha. Precisamos de parcerias para melhorar nossa infra-estrutura e poder receber o turista, diz. Alguns projetos foram viabilizados em espírito de cooperativa de alguns moradores com a prefeitura. Cursos de capacitação foram realizados para 120 jovens do município e tiveram a função de conscientizar e despertar o interesse para o turismo ecológico e rural. Comerciantes locais e meninos dos sítios da zona rural participaram de cursos de qualidade em atendimento que tiveram o objetivo de otimizar a recepção ao turista. Trinta condutores de grupo (guias-mirins) também foram formados com o apoio voluntário de técnicos do Senac, que os capacitaram para acompanhar os visitantes em trilhas ecológicas e passeio rurais. |
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