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PRISÃO DE ‘LALAU’ IV
‘Lalau’ se dá mal na sua primeira noite de cadeia

SÃO PAULO – O homem que durante quase oito meses driblou a Polícia Federal e desafiou o Governo passou uma noite desconfortável no cárcere, embora com os pulsos livres das algemas. Não pregou os olhos. Reclamou, soltou algumas frases sem sentido, tomou comprimidos. Parecia resmungar. Mal tocou no café da manhã. No início da tarde de ontem, recusou o almoço: arroz, feijão, bife à parmegiana, acelga com bacon, salada de alface e queijadinha.

Nicolau dos Santos Neto, o juiz-prisioneiro acusado de desviar R$ 196,7 milhões do Tesouro, considera-se vítima de uma indignidade. Aos federais que o vigiam afirma que houve uma violência aos seus direitos. Nega ter se apropriado de dinheiro público. “É tudo mentira”, repete. Insiste na versão de que sua fortuna tem origem na herança de um tio.

O magistrado está 28 quilos mais magro e parece ter ‘murchado’, na visão dos agentes que na noite de sexta-feira foram vê-lo pessoalmente no 17º andar do prédio-sede da Polícia Federal, no centro da cidade. No início da madrugada, ele chegou à Custódia da PF, um casarão no bairro de Higienópolis.

As celas ficam nos porões do prédio, um lugar sem ventilação, onde estão cinco presos comuns dois deles estrangeiros que aguardam extradição. Nicolau é magistrado. Como tal, tem direito a uma cela especial de Estado Maior. Sem grades, naturalmente.

É um cômodo apertado, dois metros de largura, 3,5 metros de comprimento.

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Jornal do Commercio
Recife - 10.12.2000
Domingo

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