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OCUPAÇÃO NAS METRÓPOLES
Leis de zoneamento desafiam urbanistas

Paulistanos que moram nos Jardins enfrentam o conflito entre áreas residenciais e comerciais

CAMPINAS, SP – Os conflitos gerados com as leis de zoneamento que permitem a ocupação mista, de casas comerciais e residências em determinadas regiões, se transforma no grande desafio para urbanistas de metrópoles como Bogotá, Cidade do México e São Paulo. A avaliação é de especialistas reunidos esta semana para discutir o tema no seminário internacional sobre Gestão da Terra Urbana e Habitação de Interesse Social, promovido pela Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Pontifícia Universidade Católica de Campinas.

A cidade de Bogotá, na Colômbia – com 6,5 milhões de habitantes –, fez uma revisão radical do plano diretor para administrar melhor os problemas. As novas leis passaram a vigorar este ano, quando ficaram definidos itens básicos, como região industrial, comercial e residencial, além das chamadas regiões mistas. Outra medida tomada foi estabelecer que a cada três anos haverá um ajuste da lei para acompanhar o desenvolvimento da cidade.

A lei determina a proporcionalidade para as regiões mistas de, no máximo, 80% das construções residenciais e de 20% comercial, disse José Salazar, diretor do Departamento de Planejamento Urbano da Prefeitura de Bogotá.

Ele afirmou que um dos problemas nessas regiões é o transtorno que o trânsito provoca. “Estamos resolvendo o problema com as construções de ciclovias”.

A experiência da Cidade do México – com 16 milhões de habitantes –, não foi bem sucedida com relação à implantação das regiões mistas, conforme estabeleceu o plano diretor, que sofreu uma revisão geral em 1996. “Os proprietários de prédios residenciais de algumas regiões foram contra, mas o comércio acabou se instalando de forma irregular e, agora, eles não conseguem vender ou alugar o imóvel para moradia”, disse o secretário de Desenvolvimento Urbano e Habitação do México, Roberto Eibenschutz.

Estes mesmos problemas são vividos pelos paulistanos, principalmente os que moram na região dos Jardins, onde a área é considerada estritamente residencial, mas que nos últimos anos divide o espaço com casas comerciais. O alerta foi feito pela urbanista Raquel Rolnik.

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Jornal do Commercio
Recife - 10.12.2000
Domingo

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