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TEATRO SANTA ISABEL II
Reforma buscou unir o antigo ao moderno

As obras arrastaram-se por cinco anos e meio, devido a entraves burocráticos; o custo total já chega a 6,9 milhões de reais, e os reparos só serão finalizados em 2001

Antes desta última reforma, o Teatro Santa Isabel passou por outras seis reformas, entre grandes e pequenos consertos. Entre as maiores, estão a de 1936 e de 1950, esta última sob a orientação do teatrólogo Valdemar de Oliveira. O criador do Teatro de Amadores de Pernambuco, que esteve à frente da casa por 11 anos, realizou a chamada ‘grande reforma do centenário’, que fechou o teatro durante dois anos.

Pouco tempo, se comparada com esta última reforma que foi marcada por sucessivas interrupções, impasses entre a Prefeitura do Recife, Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) e Tribunal de Contas do Estado (TCE), num bate-boca pelos jornais entre as partes envolvidas. As reformas, propriamente ditas, tiveram início em junho de 1995, quando a casa de espetáculo foi fechada ainda na segunda administração do então prefeito Jarbas Vasconcelos.

As obras da primeira etapa, com restauração interna do teatro, duraram de junho de 95 a janeiro de 96, quando foram interrompidas e retomadas, em seguida, até março de 1997. Nesta fase foi modernizada a caixa cênica, o fosso da orquestra ganhou um elevador e foram adquiridos cortina corta-fogo, a nova cortina de boca de cena, e equipamentos de som e iluminação.

A segunda fase das obras começaram em dezembro de 99, quando foram realizados os trabalhos de instalação do novo ar-condicionado, a reconstituição do lustre de cristal da platéia, e o processo de decapagem das paredes e ornamentos internos para se descobrir as verdadeiras cores do teatro.

Segundo o arquiteto Ismael Soler, foram descobertas até nove camadas de tinta com a prospecção feita com bisturis cirúrgicos. Desta forma, chegou-se a uma tonalidade de bordô nos camarotes e frisas; e um azul acinzentado nas paredes e no teto. Além disso, foram encontrados ornamentos pintados em folha de ouro recobertos por muita tinta nos camarotes oficiais.

Na área externa do teatro foi descoberto uma tonalidade entre o rosa e o salmão, tinta criada especialmente para a fachada. Nesta área, também foram reconstruídas as pedras e mármores. “Esta reforma fez com que o teatro retomasse a sua forma mais conservadora e adquirisse equipamentos modernos”, destaca Soler.

As reformas atingiram ainda a construção de uma espécie de ‘bunker’ subterrâneo de concreto, com 3 metros de pé direito, para abrigar a casa-de-força e a geração do ar-condicionado fora do teatro (até agora tudo funcionava dentro do edifício). E a instalação de elevador até o palco, cinco camarins coletivos e quatro suítes, um refeitório, salas para administração, sala para ensaios e vestiários com banheiros. Todas as áreas internas, agora, passam a ter saída individual de ar-condicionado. As obras, no entanto, não estão concluídas. Ficam para 2001 o restauro do salão nobre e dos ornatos de metal.

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Jornal do Commercio
Recife - 10.12.2000
Domingo