 |
 |

TEATRO SANTA ISABEL IV
Política, história e arte no mesmo palco
O Santa Isabel abrigou embates literários e políticos contra a escravidão, foi alvo dos tiros da Revolução de 30 e ainda é marco da arquitetura no Brasil
O Teatro Santa Isabel não é o mais antigo da cidade, como pensa a maioria da população. Este título pertence ao Teatro Apolo que, por ter sido durante a maior parte da sua vida um imóvel privado, foi até armazém de açúcar. Mas o Santa Isabel ainda desperta curiosidade e fascinação naqueles que o estudam e conhecem. “Seu único defeito é ter uma platéia muito pequena”, explica Ismael Soler. Ele conta que havia, porém, uma razão para isso: na platéia sentavam-se homens solteiros e desacompanhados. As famílias ficavam nos camarotes e frisas, que ocupam 70% do teatro. O Santa Isabel guarda, no entanto, outras particularidades. É o único no Brasil a ter janelas que dão para o palco, tudo para manter a simetria arquitetônica da fachada. E a grande quantidade de janelas explica-se também por ter sido erguido antes da chegada da luz elétrica ao Recife. Mas sua importância histórica não está somente na arquitetura. O Santa Isabel foi palco de debates literários entre Castro Alves e Tobias Barreto e de embates contra a escravidão. Em março de 1885, sediou até uma sessão solene para lembra o primeiro ano da libertação dos escravos no Ceará (1884), antes mesmo da Lei Áurea. Veja parte desta história na arte ao lado.
___________________________________
|

Jornal do Commercio
Recife - 10.12.2000 Domingo
|