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DISCO
Sade Adu, finalmente, decide sair do seu sarcófago e conceder ao público mais um CD

Depois de quase uma década com a carreira de molho, a cantora retorna agora com Lovers Rock. Um trabalho no qual ela mostra que pouca coisa mudou em seu mundo desde que se retirou

por SCHNEIDER CARPEGGIANI

Enquanto os seus contemporâneos dos anos 80 cambaleavam para se enquadrar nas ondas da nova década (techno, boy bands, grunge...), Sade Adu preferiu encarar um exílio voluntário de quase 10 anos. Agora, de uma hora para outra, sem desculpas pela ausência ou maiores explicações, retorna com o CD Lovers Rock, como se nada, absolutamente nada tivesse acontecido. E, pelo visto, parece que pouca coisa mudou de fato no seu mundo.

Com a mesma cara, voz, postura e timbres de sempre, Sade deixa a impressão que passou a última década mumificada. No seu sarcófago, apenas poucas notícias das mudanças que a música sofreu no decorrer dos anos chegaram – leia-se aqui, som eletrônico. Mas nada que causasse uma repercussão extremada em seu trabalho.

As supostas novas nuances do som de Sade, que muitos têm afirmado ser sua entrega ao trip-hop (principalmente nas canções Flow e Every word), são apenas atualizações de temas já presentes em faixas como Kiss of life e Cherish the day, do CD anterior, Love de Luxe. O que indica mais uma questão de maquinário novo no estúdio do que de mudança concreta e pensada. ‘The Lady’, como seus fãs a chamam, é conservadora demais para tentar fazer parte da turma dos modernos do Portishead ou Massive Attack.

A única diferença que seus admiradores mais radicais irão sentir em Lovers Rock é a ausência de temática sexual. Não há nenhum hino à procriação do porte de Your love is king, no qual ela revela que seu amante está lhe proporcionando um múltiplo orgasmo.

Na hora de interpretar e escrever as letras, Sade preferiu trocar o sexual pelo maternal, fraternal e todos os outros nobres adjetivos que sigam por esse caminho. Lovers Rock serve, no máximo, para a trilha de um amasso que não passa nunca das preliminares. Para o durante, continue apostando no velho e imbatível The Best of Sade.

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Jornal do Commercio
Recife - 10.12.2000
Domingo