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URBANISMO II
Avenida Beira-Rio ligará 21 bairros do Centro à Caxangá

O projeto, aprovado em 96, prevê a construção de uma estrada de 21,2 quilômetros de extensão. Além dos 14 metros de pista de rolamento, a avenida terá passeio para pedestre e ciclovia.

Uma das maiores intervenções anunciadas pela Prefeitura do Recife para as margens do Rio Capibaribe é o Projeto Beira-Rio. Aprovada em 1996, a proposta contempla a construção de uma estrada de 21,2 quilômetros de extensão (cerca de 11 quilômetros em cada margem) da Ponte Velha até a BR-101, na Caxangá, ligando diretamente 21 bairros.

A futura Avenida Beira-Rio terá uma largura de 26,5 metros, dividida da seguinte forma: passeio para pedestre com 4 metros, ciclovia com 3,5 metros, canteiro com 1,5 metro, pista de rolamento com 14 metros e outro passeio com 3,5 metros. “Estão previstas algumas variáveis ao longo do trecho”, explica o arquiteto Pedro Cavalcante Filho, da Divisão de Estudos Viários da Empresa de Urbanização do Recife (URB).

Na avaliação do arquiteto, com a implantação do projeto (não se sabe quando) serão necessários novos estudos para redefinir as vocações de cada trecho ao longo do rio: residencial, prédios altos ou baixos, condomínios, lazer, contemplação. “A ilha remanescente da retificação pode ser transformada em um parque temático”, sugere o arquiteto.

“O mais importante é que todas as pessoas residentes nas áreas próximas ao Capibaribe sejam informadas das mudanças que irão ocorrer e recebam tratamento igual, independentemente de classe social”, diz. Ele informa que a futura Beira-Rio terá conexões com áreas verdes, como os parques da Jaqueira e Santana (esse último será enlaçado pela avenida), e também com as pontes.

PARCERIA – De acordo com o arquiteto, os bairros cortados pela Avenida Caxangá serão beneficiados pela abertura da via. “Os motoristas terão melhor condição de trafegar nas duas avenidas. Além disso, terá 21 quilômetros de ciclovia com conexão para 21 bairros”, sublinha. Todo o projeto, diz o arquiteto, resguarda a calha de cem metros do rio, prevista em lei.

Atualmente, a Avenida Beira-Rio tem trechos já definidos nos Coelhos, Ilha do Leite e Madalena. “A Divisão de Estudos Viários tem o pensamento sobre a malha da cidade, mas a operacionalização não é feita sozinha, a parceria da prefeitura com os lindeiros (moradores das margens do rio) é importante, pois eles também serão beneficiados pelo projeto”.

A URB não divulgou quantas famílias precisarão ser remanejadas para a implantação da via. Enquanto a Beira-Rio está no papel, outra equipe técnica da URB cuida das cinco Zonas Especiais de Interesse Social (Zeis) existentes ao longo do Capibaribe. Já foram urbanizadas o Poço da Panela, onde moram 611 pessoas em 2,51 hectares, e a Vila do Vintém (Santana), uma área de 0,32 hectares ocupada por 270 pessoas.

A Vila Esperança/Cabocó, uma área de 4 hectares no Monteiro, já tem plano urbanístico pronto. Estão previstas ações de pavimentação de ruas, drenagem, esgotamento sanitário e outras melhorias para os 750 moradores. No Coque, a URB está trabalhando especificamente na urbanização do Espólio Estevão Cavalcante, uma área de 6,6 mil metros quadrados. A Zeis Coque tem 20 mil pessoas e ocupa 76,30 hectares. Na Zeis Coelhos (6,8 mil pessoas e 25,10 hectares de área) está sendo urbanizado o Beco do Esparadrapo.

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Jornal do Commercio
Recife - 10.12.2000
Domingo