Professor do Mestrado em Desenvolvimento Urbano da Universidade Federal de Pernambuco, o arquiteto Geraldo Santana afirma que a futura Avenida Beira-Rio não deve ser interpretada como “diretriz genérica de um idealismo viário”. Para ele, a via deve passar apenas onde for possível, serpenteando o curso do Capibaribe.
“É um absurdo a Beira-Rio passar no Poço da Panela. Isso vai expor demais o Sítio Histórico, um lugar que conseguiu se manter isolado, um remanso na cidade”. Ele também discorda da Beira-Rio no Derby e acredita que será complicada a passagem da via pelas cabeceiras das pontes. “É preciso uma flexibilização, alguns trechos teriam avenida e outros não”.
Geraldo Santana defende o embelezamento e a valorização urbanística das margens do rio, como está contido no Projeto Capital elaborado pela Prefeitura do Recife. O Projeto Capital prevê a despoluição do rio, pela interrupção do lançamento de esgotos, lixo doméstico e resíduos industriais.
Outras ações previstas são a execução de um projeto de navegabilidade, remoção dos assentamentos irregulares localizados nas margens, revitalização do Açude de Apipucos, aproveitamento econômico das margens, implantação do Parque das Olarias na Zona Especial de Preservação Ambiental nos trechos da Iputinga, Cordeiro, Santana e Apipucos, além da recuperação dos parques já existentes.
“As áreas vizinhas ao rio precisam ser arborizadas, iluminadas e terem usos estratégicos, com a instalação de museus, restaurantes e outros equipamentos de cultura e lazer. Não se pode ocupar a área apenas com residências”, declara. Na opinião do professor, ao se descortinar o rio, de uma margem a outra, a população teria a possibilidade de voltar a usá-lo, não como meio de transporte, mas para passeios turísticos. “O rio precisa ter usos que estejam relacionados à navegabilidade”.
Geraldo Santana recomenda a remoção das casas em situação de risco e ressalta que a invasão das áreas onde não são permitidas construções é feita por ricos e pobres. A redescoberta do rio pelos recifenses, ao que parece, será um trabalho lento. Desde meados do século 19 e início do 20, com a introdução dos meios de transportes terrestres, as casas se voltaram para a estrada e deram as costas ao rio.