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PATRIMÔNIO
Capela da Boa Hora vira ‘sala de aula’ para curso de revitalização

Alunos estão restaurando a cobertura e o revestimento do templo. Trabalho faz parte do programa que prepara mão-de-obra especializada na manutenção e recuperação de monumentos históricos

por LARISSA CORREIA

A Rua da Boa Hora é uma das mais antigas de Olinda, mantendo praticamente o traçado original do período de ocupação da então vila, no século 16. E é justamente na capela que deu o nome à via que está sendo realizada a parte prática do Programa Formação Profissional e Emprego, promovido pelo Ministério do Trabalho em parceria com a Cruzada de Ação Social (CAS). O projeto está preparando mão-de-obra especializada na manutenção e recuperação de monumentos históricos.

Financiado pelo Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT), o curso tem duração de três meses e conta com a participação de 80 alunos, com idades entre 19 e 25 anos. Iniciadas em outubro, as aulas são oferecidas na parte da tarde, de segunda até sexta-feira. Ao todo, são apresentados quatro módulos, abordando temas como Coberta e Imaginária, para a recuperação de coberturas e telhados de bens históricos e imagens sacras, respectivamente. Essa é a segunda turma contemplada pelo programa que, no ano passado, capacitou 50 pessoas e trabalhou no Museu de Arte Sacra, na Igreja da Sé.

“Os principais problemas da Capela de Nossa Senhora da Boa Hora eram a coberta, já muito deteriorada, e o revestimento, sem nenhuma conservação”, apontou a coordenadora do curso de profissionalização, restauradora Débora Mendes. “Também estamos recuperando o altar do templo, bens móveis e cinco imagens, todas contemporâneas à construção da capela”.

De acordo com o engenheiro civil do Instituto de Preservação do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) Frederico Almeida, professor do curso, o programa conta com recursos provenientes do FAT. “Recebemos R$ 95 mil para a realização do curso. A quantia está sendo utilizada essencialmente na aquisição de materiais e pagamento dos professores”, especificou Almeida. “Se fôssemos pintar a capela, seriam necessários mais R$ 14 mil, o que encareceria o projeto”, lembrou.

Foi através de uma amiga que a estudante Jaqueline Monteiro, 19 anos, soube do curso de profissionalização. No momento, ela está trabalhando na recuperação de uma imagem de Nossa Senhora da Soledade, uma das existentes na Capela de Nossa Senhora da Boa Hora. “A revitalização completa deve demorar cerca de dois meses. Acho muito interessante a proposta do curso e, mesmo fazendo um trabalho minucioso, não o considero cansativo”, afirmou Jaqueline.

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Jornal do Commercio
Recife - 10.12.2000
Domingo