Sem recursos, o Parque Asa Branca enfrenta sérias dificuldades para manter viva a memória do Rei do Baião e não consegue nem organizar uma homenagem ao cantor no dia em que completaria 88 anos
por CLAUDIA PARENTE
Pela primeira vez, em 25 anos de tradição, o cantor Luiz Gonzaga não receberá uma homenagem à altura de sua importância em seu aniversário, no dia 13 deste mês. Por falta de condições financeiras e descaso de autoridades, o Parque Asa Branca, antiga residência do cantor em Exu, a 603 quilômetros do Recife, não vai poder patrocinar a vinda de artistas de renome, como fez em anos anteriores, para comemorar a data.
Logo depois da morte de Gonzaguinha, em abril de 91, o patrimônio do Rei do Baião – inclui o Parque Asa Branca, onde está localizado o Museu do Gonzagão – foi vendido pela filha de Gonzaga, Rosinha Valença, ao empresário José Alves de Alencar. O empresário continuou realizando a festa até dezembro de 97, seis meses antes de falecer. Agora, a herdeira, sua mulher Elenilde Alencar, não sabe o que fazer para manter o local funcionando. “O Parque Asa Branca está na UTI”, lamenta.
Elenilde disse que tentou conseguir apoio da prefeitura e do Governo do Estado, mas não teve êxito. Segundo ela, manter o parque não é fácil nem barato. Ali, estão a casa onde o cantor residiu, o Museu do Gonzagão, o mausoléu onde ele e sua primeira mulher, Helena, estão enterrados, e a velha casa de seu pai Januário. A despesa mensal é de R$ 3 mil, gastos com os 10 empregados que tomam conta do local e com contas de água, energia elétrica e telefone. “As únicas fontes de renda são uma pequena lanchonete e a taxa de R$ 1 que as pessoas pagam para visitar o museu”, informa Elenilde. “Nem a entrada da festa nós cobramos”. Desde que foi inaugurado, há 11 anos, o museu já foi visto por quase 100 mil pessoas.
Um dos problemas que vêm prejudicando a realização da festa é a falta de iluminação. Um trecho de 300 metros na frente do parque – que fica localizado às margens da BR-122 – está totalmente no escuro. “Fizemos um ofício à Celpe, pedindo que colocasse luz no local, e nos responderam com um orçamento de R$ 14 mil. Não podemos arcar com essa despesa”, desabafou Elenilde. Ela disse ainda que o lugar precisa de um poço artesiano, para suprir a demanda de água. “Tivemos que retirar os reservatórios colocados em cima da casa de Gonzaga, porque estavam provocando infiltrações”.
Além da falta de água e de luz – o transformador do parque é antigo e é comum faltar energia durante os shows –, a casa do rei enfrentou uma praga de cupim no ano passado. Um quadro de Zé Dantas foi quase totalmente devorado. Para Elenilde, a solução para todos esses problemas seria transformar o lugar em uma fundação, que tivesse recursos próprios. “Dona Helena Gonzaga chegou a criar a Fundação Vovô Januário, mas ela não recebe verba”.
Apesar das dificuldades, a proprietária garantiu que quer manter o Parque Asa Branca. “Gostaria de continuar o trabalho de meu marido e ajudar a preservar o patrimônio de Luiz Gonzaga. Afinal, ele veio do Rio de Janeiro somente para poder morar ali”. Para a data não passar em branco, alguns sanfoneiros se apresentaram no parque, ontem à noite, e a missa de aniversário do rei será celebrada na tarde de hoje.