Parentes de Luiz Gonzaga não entendem o motivo do descaso com a obra de um dos maiores artistas brasileiros deste século. “Quando ele era vivo, esse parque vivia cheio de políticos e artistas. Hoje ninguém aparece para reverenciar o que restou dele”, lamenta o cantor Joquinha Gonzaga, sobrinho de Gonzagão e companheiro fiel nos seus últimos anos de vida.
Na peregrinação por incentivo para conservar o Parque Asa Branca, Joquinha já tentou pedir ajuda até ao vice-presidente Marco Maciel, mas não conseguiu marcar audiência. “Gostaria, pelo menos, de saber que caminho devo seguir ou a quem devo apelar”, comentou. O músico também buscou apoio junto a Empresa Pernambucana de Turismo, mas foi em vão. “Disseram que só podiam liberar verba através da Prefeitura de Exu”.
Joquinha conta que as coisas começaram a ficar difíceis depois do esfacelamento da família. Em apenas quatro anos, quatro membros importantes morreram. O irmão de Gonzaga, Severino Januário foi o primeiro a tombar em cima de um palco, enquanto tocava uma sanfona de oito baixos no São João de 1988. Depois vieram o próprio Luiz Gonzaga, em 89; Gonzaguinha, em 91; e dona Helena Gonzaga, em 92. Esta última morreu praticamente abandonada, nas dependências do Parque Asa Branca.
Joquinha diz não entender por que a Missa do Vaqueiro faz parte do calendário de turismo do Estado e a festa de aniversário do Gonzagão fica de fora. “Alguém precisa acordar para a importância disso aqui”, diz, emocionado. Reforçando as palavras do primo, Maria Lafayete, que tocou triângulo ao lado do tio durante quatro anos, atenta para a situação do museu. “Desde que foi fundado, nunca pudemos levar um museólogo para fazer a manutenção. Tenho medo que aquilo tudo se perca”.