A epidemia entrará para o 7º ano consecutivo no Estado, em 2001
por VERONICA ALMEIDA
A meta inicial do Ministério da Saúde de erradicar o mosquito da dengue até o próximo ano dificilmente será cumprida. Em Pernambuco, onde o número geral de casos voltou a crescer por causa de novos focos no Sertão, a diretora de Epidemiologia e Vigilância Sanitária do Estado, Zuleide Wanderley, analisa que será impossível atingir a erradicação do Aedes aegypti em 2001, considerando as condições atuais de saneamento básico.
Ela lembra que a dificuldade não é só de Pernambuco, mas do País inteiro, uma vez que os focos do mosquito estão espalhados por diversas regiões. Em 2001, a epidemia de dengue em Pernambuco estará entrando no sétimo ano consecutivo. De 1995 até agora, pelo menos três pessoas morreram no Estado, vítimas da doença. Uma parcela da população já está sensibilizada por um dos dois tipos de vírus circulantes, aumentando a chance de desenvolver o quadro grave, a dengue hemorrágica.
O publicitário Tiago Diniz, 24 anos, já teve dengue por duas vezes. “Na primeira passei cinco dias de cama. Foi horrível, senti dores por todo o corpo”, recorda. Para ele, é absurdo o fato de conviver com uma doença que poderia ser evitada com medidas simples, como oferta de água tratada, boa coleta de lixo e drenagem. O mosquito se reproduz em água limpa e parada. O racionamento que faz a população armazenar água em baldes e o lixo doméstico que retém água da chuva (como caixas de margarina e garrafas plásticas jogadas no fundo do quintal) facilitam a reprodução do Aedes aegypti.
As primeiras referências sobre dengue no Brasil são do século passado. A doença voltou na década de 80. Particularmente, em Pernambuco, recomeçou em 87, mas de 88 a 94 não foram notificados casos. Nos últimos seis anos o pico maior foi em 1998.
Embora esteja havendo uma queda do número de casos no Recife e região metropolitana, novos focos surgiram no Sertão. Atraso no repasse de verbas pelo Ministério da Saúde e o período de transição entre a forma antiga e o novo modelo de financiamento podem ter atrapalhado a vigilância e facilitado o crescimento dos casos, avaliam técnicos do setor.