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DIAGNÓSTICO Pesquisa avalia laser que ‘vê’ cárie
Estudo desenvolvido na UFPE, unindo conhecimentos de física e odontologia, vai checar a eficácia de um aparelho usado para identificar a cárie na sua fase inicial
por MONALISA SILVA
Com o intuito de eliminar a dificuldade em diagnosticar a cárie em seu estágio inicial, a mestranda em endodontia pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) Adriana Ribeiro analisa o desempenho do diagnodent, um aparelho a laser utilizado para identificar a cárie nessa fase.
A dificuldade em diagnosticar a cárie precocemente se deve ao fato de que, quando surge, ela é apenas uma mancha branca, fácil de ser confundida com outras lesões. Normalmente, a ulceração é mais facilmente visível quando já perfurou o esmalte do dente. Com o diagnodent, é possível detectar a remineralização do órgão antes que isso ocorra, evitando a obturação.
O diagnodent, fabricado pela indústria alemã Kavo, tem um laser diodo, cujo feixe de luz é emitido por meio de fibra ótica, que sai do equipamento, em direção à região da qual se quer fazer o diagnóstico. Ocorre uma interação da luz com as moléculas do tecido dentário e o resultado é a emissão de uma fluorescências – luz com comprimento de onda diferente do inicial. “Mediante esse processo, é possível descobrir se a superfície está cariada ou não, pois quando está, a fluorescência é maior do que quando o tecido é sadio”, explica Adriana, que atua no projeto coordenado pelo professor Anderson Gomes, do Departamento de Física da UFPE.
A pesquisadora informa que o aparelho interpreta, por meio de componentes eletrônicos, a fluorescência, dando um resultado numérico, a partir do qual se pode dizer se o dente está sadio ou não e se a cárie é profunda ou superficial. As vantagens desse método sobre os outros (visual, tátil, radiográfico) são uma precisão maior no diagnóstico e a possibilidade de se acompanhar quantitativamente o crescimento da lesão.
AVALIAÇÃO – O objetivo do estudo é avaliar se os padrões numéricos estabelecidos pela Kavo são fidedignos, ou seja, determinar a real eficácia do aparelho e entender no nível microscópico o processo de interação entre luz e tecido. Além da avaliação dos parâmetros do equipamento, Adriana pretende descobrir também se o aparelho tem a capacidade de repetir os resultados em um curto espaço de tempo, 24 horas, por exemplo.
Para realizar o trabalho, o procedimento adotado foi a indução artificial da cárie por meio da desmineralização. “Os dentes (extraídos) serão submetidos a uma ciclagem de pH, imitando o processo de desmineralização e remineralização que acontece na cavidade bucal. Uma área do dente será atacada por esse processo e outra será isolada”, explica Adriana.
Uma vez instalada a ulceração, o diagnodent analisará as duas áreas do dente e, em seguida, um outro aparelho a laser do Departamento de Física da universidade, com características semelhantes às do diagnodent, fará, em conjunto com um espectrômetro, um estudo da fluorescência da área. No final, os resultados obtidos pelos dois aparelhos serão comparados. O dente será submetido a uma análise por meio da microscopia eletrônica, técnica que consiste em estudar histologicamente o órgão para comprovar quais foram as áreas atingidas pela desmineralização. A dentista vislumbra a possibilidade de construir um aparelho a laser com tecnologia nacional, mas acredita que isso só será possível no futuro.
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