por ISABELA BARROS
O empresário Antônio Henrique da Silva faz questão de levar para a casa, em seu próprio carro, todos os clientes que façam compras acima de R$ 50 em seu estabelecimento. Proprietário do Supermercado Preço Bom, no Curado IV, Antônio é representante de um segmento com clientela fiel e nenhum medo da concorrência com as grandes redes de supermercados da Região Metropolitana do Recife. Mais que simples mercados, os mercadinhos ou supermercados de pequeno porte são responsáveis por 80% dos estabelecimentos do setor em Pernambuco. Nas estratégias de atuação junto aos consumidores, valem regras simples como o barateamento dos preços e o religioso cumprimento aos clientes de longa data pelo proprietário.
Segundo informações da Associação Pernambucana de Supermercados (Apes), são considerados supermercados de pequeno porte todos os estabelecimentos com faturamento de até R$ 300 mil por mês e tamanho entre 100 e 300 metros quadrados. “As lojas de médio e grande porte, com faturamento mensal equivalente ou superior a R$ 1,5 milhão, representam, respectivamente, apenas 15% e 5% dos nossos quadros, o que também é um indicativo do poder de atuação dos pequenos supermercados”, diz o presidente da Apes Geraldo José da Silva.
Além de premiar seus clientes com a carona personalizada, o empresário Antônio Henrique da Silva aposta na maior proximidade com os consumidores. “Passo o dia por aqui, conversando com os meus clientes. Todos os compradores do Preço Bom moram no Curado IV, um bairro muito isolado de todos os outros. Trabalho com uma margem de lucro de 8%, o que ajuda a baixar os preços”, conta.
Para garantir o supermercado cheio durante todo o ano, Antônio não faz uso de nenhum tipo de publicidade. ”Propaganda para mim é ter preço baixo para atrair o cliente”, analisa.
De acordo com o empresário, os principais problemas enfrentados com a manutenção de seu estabelecimento estão na falta de policiamento no Curado IV e nas taxas de inadimplência.
EMPÓRIO DA VILA – Sucesso em Jardim São Paulo, o supermercado Empório da Vila é outro representante dos pequenos estabelecimentos sem motivos para reclamar do comércio nos bairros do Grande Recife. “O nosso público é muito variado, com consumidores das classes A, B e C. A concorrência existe, mas o mercado é amplo o suficiente para todos. Algumas pessoas não pensam em comprar aqui porque acham o estabelecimento muito pequeno, mas mudam de opinião quando se deparam com os preços mais baixos e a variedade de produtos oferecidos. Tenho o cuidado de estar sempre circulando. O cliente adora ser cumprimentado com tapinhas nas costas e perguntas sobre como vai a família”, resume o proprietário do supermercado Ézio Dario Batista.
Até o final do ano, o Empório da Vila terá sua área ampliada de 195 para 295 metros quadrados. “Estamos investindo R$ 180 mil também para a melhoria das nossas instalações. Devemos colocar mais ventiladores na loja e modificar a arrumação das gôndolas”, anuncia Ézio Dario Batista.
No item propaganda, o bom e velho carro de som foi o único recurso utilizado até agora para atrair a clientela do Empório da Vila, ainda assim em poucas ocasiões. “Normalmente não precisamos de grandes esforços para divulgar os nossos serviços, prevalecendo a indicação dos próprios consumidores”, conta o proprietário do supermercado.
Com duas filiais em Olinda, o Supermercado Tropical também investe na diversificação das formas de pagamento. “Aceitamos todos os cartões de crédito, com a opção de receber cheque pré-datado. Vendemos em média 15% mais barato que os supermercados de grande porte. A qualidade dos produtos oferecidos é boa, com o diferencial da maior proximidade com os clientes. Para se ter uma idéia, a propaganda boca a boca é nossa principal forma de divulgação”, diz o gerente geral do Tropical, Genaro Gomes.