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PESQUISA
Trabalhadores têm crescimento na renda média

Na avaliação dos institutos IBGE e Dieese, além da renda maior, a taxa de desemprego está em queda em todo o País

Na avaliação de órgãos de pesquisa como o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e o Departamento de Estudos Intersindicais de Estatísticas Sócio-Econômicas (Dieese), os últimos dois meses foram de queda na taxa de desemprego e aumento nos rendimentos médios dos trabalhadores. Para o IBGE, foi observado um aumento de 7% nos rendimentos no comparativo de setembro de 2000 com setembro de 1999. Já para o Dieese, a elevação foi de 2,6% ainda em setembro.

No item desemprego, o IBGE aponta um aumento de 4,5 % no número de pessoas ocupadas no Recife, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Salvador e Porto Alegre. Nas contas do Dieese, a taxa de desemprego caiu 3,2% na Região Metropolitana do Recife (RMR) em relação a outubro do ano passado.

Segundo informações do IBGE, a elevação dos rendimentos se deve à recuperação dos empregos nos setores da construção e serviços. Os dados estão de acordo com a avaliação do Dieese, que também aponta a retomada do crescimento nos setores de comércio (2%) e construção civil (4,1%), gerando, respectivamente, 5 mil e 2 mil novas ocupações.

De acordo com a coordenadora de dados do Dieese em Pernambuco, Tereza Araújo, a queda na taxa de desemprego é resultado da ampliação da População Economicamente Ativa (PEA) em 0,3% aliada à entrada de mais de 5 mil pessoas no mercado de trabalho. “Foram gerados mais de 9 mil postos de trabalho, número superior ao contigente de mão de obra que entrou no mercado”, explica.

Para o Dieese, os trabalhadores desempregados na RMR gastam em média 29 semanas ou sete meses tentando conseguir um novo emprego. Entre as principais diferenças na metodologia adotada pelo IBGE e Dieese, está a inclusão das situações de trabalho precário pelo instituto, que inclui no percentual de empregados as pessoas que fizeram algum tipo de bico na semana anterior à pesquisa.

INVESTIMENTOS – As empresas não-financeiras – empresas privadas e públicas com exceção de bancos e corretoras – foram as reponsáveis por 59,95% dos investimentos feitos na economia no ano passado, de acordo com dados do IBGE. Para financiar seus investimentos, no entanto, essas companhias quase não contaram com os recursos do sistema financeiro nacional, que são quase todos drenados para cobrir as contas do governo.

Por conta dos juros altos e da política restritiva de empréstimos, o dinheiro do bancos é muito caro para as empresas, que dispõem praticament apenas do próprio caixa para investir.

No Brasil o coeficiente de empréstimos do setor bancário para a atividade produtiva é de 30% do PIB, enquanto nos Estados Unidos e no Japão é perto de 100%, comenta o presidente da Associação Nacional dos Bancos de Investimento (Anbid), Edmar Bacha, que já foi presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

De acordo com o IBGE, as empresas não-financeiras investiram diretamente na economia, em 1999, R$ 108,9 bilhões, enquanto as financeiras participaram com R$ 1,9 bilhão, ou 1,07% do total. O economista destaca que, além da redução dos juros, o desenvolvimento do mercados de capitais é essencial para elevar a taxa de investimentos no País em relação ao Produto Interno Bruto (PIB).

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Jornal do Commercio
Recife - 10.12.2000
Domingo