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CANA-DE-AÇÚCAR III
Usina protege o meio ambiente da Mata

Localizada na Mata Sul de Alagoas, a Usina Coruripe está adotando procedimentos para adquirir o ISO 14001, que é concedido para as empresas que não prejudicam o meio ambiente no seu processo industrial. A empresa já trabalha em circuito fechado e não joga mais a água que é usada no processo industrial sem antes fazer o tratamento do líquido.

Utilizando uma tecnologia mexicana, a empresa trata a água que é usada no processo industrial colocando a mesma num grande decantador, no qual são colocadas bactérias que “se alimentam” dos resíduos industriais do líquido. Quando a matéria orgânica acaba, as bactérias morrem.

Mesmo atingida pela seca, a usina investiu R$ 5 milhões nos últimos cinco anos para implantar um sistema de tratamento de resíduos industriais e construir um decantador com a capacidade de tratar até 9 milhões de litros cúbicos. A empresa também realizou, nos últimos três anos, um investimento de R$ 5 milhões no sistema de qualidade, melhorias da produção e armazenamento.

Apesar de estar capitalizada, a Coruripe foi a única companhia do setor que ficou fora do acordo que o setor fez com o Governo Collor, liberando o recolhimento do pagamento do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) que era calculado em cima das canas próprias.

O diretor comercial da empresa, Tércio Wanderley, evita falar sobre o assunto, alegando apenas que a empresa não participou do acordo e, que na época, não estava à frente da direção da companhia.

Na Coruripe, 71% da sua área cultivada é irrigada.Lá, o carregamento dos caminhões e o semear da colheita são totalmente mecanizados.

Nos últimos dez anos, a empresa também fez uma profissionalização da sua gestão e uma parte dos executivos da usina já não pertence à família Wanderley, que adquiriu a companhia na década de 40.

Somente nesta safra, a Coruripe espera moer 2,2 milhões de toneladas de cana-de-açúcar. A companhia tem 100% das suas terras localizadas em áreas planas e isso traz, no mínimo, dois diferenciais. Os cortadores de cana da empresa conseguem ter uma produtividade de 8,7 tonelada por homem para cada dia, enquanto nas áreas de declive esse número chega a 4,5 toneladas.

Outro diferencial da área plana é o custo do corte, transporte e carregamento da tonelada da cana-de-açúcar, que na Coruripe é de R$ 6,05 para cada tonelada. “As empresas que plantam a cana em área de encosta têm que pagar o dobro pelo mesmo serviço”, comentou um dos gerentes da empresa, Cícero Augusto.

O investimento em meio ambiente não é um fato isolado. A Central Açúcareira Santo Antonio e a Usina Camaragibe gastaramn R$ 10 milhões nos últimos três anos para implantar um tratamento de sistema da água que é usada no processo industrial das empresas.

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Jornal do Commercio
Recife - 10.12.2000
Domingo