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CANA-DE-AÇÚCAR IV
Empresários dizem que as terras planas são maior diferencial

As condições de produção da cana-de-açúcar em Alagoas são melhores do que em Pernambuco, segundo pelo menos seis empresários e executivos que atuam no setor. “Aqui, Deus ajudou”, afirmou o empresário José Carlos Correia Maranhão,que acompanha o setor há 40 anos. Ele estava se referindo às terras que são mais planas naquele Estado e permitem a modernização da agricultura.

As áreas planas permitiram às empresas alagoanas terem ganho de escala e significam menos custos no transporte, corte, carregamento e até no semear da cultura. Nos famosos tabuleiros (terrenos planos), os caminhões podem transportar até três reboques, fazendo 67 toneladas por viagem, enquanto na área acidentada o mesmo veículo só tem a capacidade de carregar até 20 toneladas, de cada vez.

“O grande impulso para o desenvolvimento do açúcar em Alagoas foi a descoberta de que os tabuleiros poderiam ser cultivadas com cana-de-açúcar desde que recebessem mais fertilizantes”, lembrou José Carlos Correia Maranhão. Isso ocorreu em 1951.

Outro fator que também deixou mais sólida as empresas alagoanas foram os financiamentos feitos com recursos federais. Os empresários que foram se instalando em Alagoas e os alagoanos, que atuavam no setor, fizeram projetos maiores e também implantaram usinas completamente novas na década de 60, 70 e até 80 com os recursos emprestados pela União.

Vários empresários que atuam em Alagoas são pernambucanos e essa migração ocorreu entre as décadas de 50 e 70. Na época, as terras de Alagoas eram mais baratas do que a de Pernambuco e aquele Estado também tinha menos tradição na organização sindical dos trabalhadores.

“Na década de 70, Alagoas saiu de um estado promissor e começou a se consolidar como grande produtor de açúcar e álcool”, recordou Maranhão.

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Jornal do Commercio
Recife - 10.12.2000
Domingo