Técnicos das empreiteiras e da própria Telemar montaram um esquema paralelo para instalação de linhas telefônicas
Todos lembram que, há bem pouco tempo, uma linha telefônica no Recife chegava a custar R$ 3 mil. Talvez por isto, algumas pessoas não se importem em pagar um “por fora” para agilizar a instalação de um terminal. Com a certeza de que vão conseguir ganhar dinheiro em cima da pressa alheia impunemente, técnicos das empreiteiras e da própria Telemar montaram um esquema paralelo de instalação telefônica. As histórias dos personagens são parecidas e envolvem uma abordagem bem direta dos técnicos.
O diretor de negócios da Telemar, Tommaso Truocchio, afirma saber da existência de fraudes do tipo, mas ressalta que a operadora está tomando providências para coibir a cobrança de propinas para instalação de linhas. “Temos sido enérgicos e demitimos pessoas envolvidas em casos desta natureza”, garante.
Segundo ele, os técnicos que foram demitidos devido ao envolvimento no esquema de instalação de novas linhas entram para uma “lista negra”, sendo impedidos de ser contratados novamente por qualquer outra empresa da área da Telemar. As medidas parecem ter ajudado a inibir a ação dos técnicos corruptos. Truocchio explica que há dois anos haviam 5 mil casos deste tipo e que atualmente são poucas as denúncias.
Entre as medidas adotadas pela Telemar, está o acompanhamento mensal das contas emitidas em comparação com os terminais que geraram chamadas. Os terminais instalados sem autorização não poderão gerar contas e a empresa tem como identificá-los. A operadora faz ainda um cadastro de toda a rede, contabilizando o que está em uso ou não. A outra medida para evitar fraudes é a análise dos relatórios do serviço que cada técnico realizou, verificando o que foi instalado com o que ficou pendente.
O técnico da empresa terceirizada vai para rua com uma ordem de serviço, detalhando as linhas a serem instaladas. Caso haja alguma fraude nestas ordens de serviço, é fácil identificar o responsável. Mas quando não há uma ordem de serviço, o esquema envolve também funcionários da Telemar, que são responsáveis pela emissão da ordem e pela instalação do número do terminal do “distribuidor”.
MINISTÉRIO PÚBLICO – Uma denúncia anônima levou o Ministério Público Estadual a abrir uma investigação contra a Telemar. “Se a Telemar contratou empreiteiras terceirizadas, que assuma a fiscalização delas. Afinal, estas empresas prestam serviço em nome da Telemar”, diz José Elias Moura Rocha, promotor da Coordenadoria de Defesa do Consumidor do Ministério Público. Rocha explica que a Telemar se comprometeu a encontrar uma solução para a cobrança de propinas, mas pede apoio dos usuários do serviço de telefonia fixa.
“O consumidor que aceita esta corrupção paga o que não deve e mantém uma situação prejudicial para ele próprio”, destaca José Elias Moura Rocha. Segundo ele, as pessoas que se sentirem prejudicadas podem procurar o Ministério Público, com a garantia de anonimato.