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Casa Forte, reduto do ‘bem viver’

POR CAROL ALMEIDA

Em meio à cidade-caos, aos ônibus lotados e aos espirros de fumaça, o bairro de Casa Forte, zona norte do Recife, vive em um mundo paralelo. Junto a outro bairro quase vizinho, o Dérbi, Casa Forte concentra a maior quantidade de verde por metro quadrado de uma cidade que se acostumou a não ligar mais para os prédios que verticalizaram a plana Veneza Brasileira. Além disso, o bairro é foco do maior poder aquisitivo do Recife e ainda mantém um comportamento em extinção nas grandes cidades: o sentimento da boa vizinhança em que quase todos os antigos moradores se conhecem.

Agora, Casa Forte e seus bairros irmãos, Parnamirim e Poço da Panela (um tipo de Santíssima Trindade de uma aristocrática classe-média intelectual) estão aos poucos se transformando em um pólo de diversão. Só que, a exemplo do espírito destes bairros, a diversão à qual se refere esta matéria não se joga numa boate ou se ‘agacha’ em algum pagodão. O final de semana nestes lugares quase sempre tem uma seleta trilha sonora e é habitado por pessoas que, geralmente, têm opinião formada sobre quase tudo (coisa que, no marasmo dialético das noites dos altos decibéis, é fator positivo). E enquanto os bares ou restaurantes tradicionais estão voltando à velha forma, os novatos já nascem com ar de gente grande.

O Capibar, por exemplo. Há 10 anos ele se anexou ao Rio Capibaribe como apenas um ponto de observação bucólica e hoje ele se renova com projetos sociais que, além de estar contribuindo para o projeto de despoluição do rio, ajuda a jovens de quase todas as tribos (dos mangueboys às meninas de calças jeans apertadas) a se inebriarem de paisagem e de cervejas. A propósito, há um ano o Capibar aumentou seu espaço e dispõe agora de uma plataforma sobre o rio onde, além de algumas cadeiras, também foi colocada uma instalação com objetos retirados do mesmo Capibaribe. O nome dos pratos também é um destaque à parte: Os Nobres e as Putas (iscas de filé com batata frita) por R$ 8,50 ou ainda Pro Taradim da White House (ovos de codorna, azeitonas, queijo coalho e molho verde) por R$ 3.

Próximo ao Capibar, na principal avenida que corta Casa Forte, outra experiência bem-sucedida entre a arte e o álcool, só que bem mais nova que o bar anterior. O Dueto Bar, que ainda não completou sua primeira vela no bolo, construiu um ambiente espaçoso e bem decorado por jovens artistas plásticos para servir bons chopes (artigo não muito encontrado por aquelas bandas). A música de fundo pode variar entre um Ray Charles e Martinho da Vila – nunca um pagode com menos de 20 anos de carreira.

Ainda no quesito bares, outro ‘point’ da geração pós-Coca-Cola, pró Ambev é o McBode (qualquer referência à multinacional do grande ‘M’ não deve ser mera coincidência). Para quem vai para Casa Forte pela Av. Conselheiro Rosa e Silva, o McBode fica pouco antes da entrada do bairro, quase que colocado no meio da rua. Seu endereço fica no Parnamirim e seu público corresponde a moradores da redondeza, amigos de infância, colégio e, principalmente, de porta. “Acredito que as opções deste lado aumentaram nos últimos anos. Para mim, ficar por aqui é poder estar num clima mais familiar, com pessoas conhecidas”, opina o administrador de empresas Marcelo Mário, 28 anos.

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Jornal do Commercio
Recife - 08.12.2000
Sexta-feira