A vacina, chamada Conjugada 7-valente, foi apresentada no Congresso Latino-americano de Pediatria e já está sendo usada nos EUA, Suíça, Finlândia e Argentina
por ANTÔNIO MARINHO*
Enviado especial
Uma das responsáveis por um grande número de consultas ao pediatra, a bactéria Streptococcus pneumoniae (ou pneumococo), já pode ser ser combatida com eficácia. Cientistas desenvolveram uma vacina contra o germe, que causa doenças graves como a infecção bacteriana no sangue, a meningite, a inflamação no ouvido e a pneumonia. O novo medicamento protege principalmente as crianças menores de 2 anos, mais vulneráveis ao ataque da bactéria.
A nova vacina (chamada de conjugada 7-valente) foi apresentada no Congresso Latino-americano de Pediatria, em Montevidéu, e já está sendo aplicada em países como Estados Unidos, Suíça, Finlândia e Argentina. No Brasil, deverá ser liberada pelo Ministério da Saúde até o início de 2001. O infectologista Lincoln Silveira Freire, presidente da Sociedade Brasileira de Pediatria, aprova o medicamento.
“A vacina estava sendo aguardada pela comunidade médica há muito tempo. Ela oferece proteção contra a meningite causada por pneumococo, especialmente em menores de 2 anos. É ótima para crianças imunodeprimidas, mais suscetíveis a infecções”.
Crianças abaixo de 2 anos são mais vulneráveis a uma infecção pneumocócica porque têm menor taxa de anticorpos na circulação. Nos casos de anemia falciforme ou infecção por HIV (vírus da Aids), o sistema imunológico está enfraquecido e o risco é maior. Em países em desenvolvimento a S. pneumoniae é a principal causa de morte abaixo de 5 anos, com um índice de 25%.
“A infecção por pneumococo em bebês é grave. Essa vacina conjugada protege contra sete sorotipos (cepas) da bactéria. Eles são responsáveis por 70% das doenças pneumocócicas. Apesar de ser mais útil até os 24 meses de vida, recomendo até os 5 anos de idade”, diz o médico Sheldon Kaplan, chefe do Serviço de Doenças Infecciosas do Texas Children’s Hospital.
Os pneumococos são encontrados normalmente no nariz e na garganta de crianças e adultos saudáveis. A infecção ocorre através de partículas no ar. A única droga disponível para evitar a doença pneumocócica era uma vacina que não estimulava adequadamente a reação imunológica em crianças pequenas. Além de causar a meningite e a infecção bacteriana, o S. pneumoniae provoca a otite média (infecção do ouvido).
“Estas doenças são resistentes ao tratamento com antibióticos, o que aumenta muito o risco de seqüelas graves, como perda de audição, dificuldade de aprendizado e danos cerebrais”, diz o médico argentino Eduardo Lopez, do departamento de doenças infecciosas do Hospital de Ninos, em Buenos Aires.
A infectologista Lilly Yin Weckx, da Escola Paulista de Medicina (Unifesp), recomenda a imunização com a nova vacina contra pneumococo: “Ela atua contra os sorotipos mais freqüentes no Brasil. Ela é mais importante ainda para as crianças propensas à doença pneumocócica e com baixa imunidade”.
ANTÔNIO MARINHO viajou a Montevidéu a convite do laboratório Wyeth.