Para lesões da coluna vertebral, como hérnias de disco, a hidroterapia oferece recuperação eficaz e alívio efetivo de dores em três meses de tratamento, em média
por MARCIA CEZIMBRA
Agência Globo
Com o sucesso das atividades de hidroginástica, a fisioterapia também mergulhou de cabeça na piscina, desta vez com uma terapêutica água morna de 32 graus. Os centros de hidroterapia, para tratamento de problemas reumatológicos, ortopédicos, neurológicos, dores e lesões em geral se multiplicam a cada dia, com resultados terapêuticos muitas vezes mais rápidos que os das técnicas convencionais.
“Uma das vantagens da hidroterapia é o calor da água, que ajuda a aliviar a dor e a reduzir o espasmo muscular. Além disso, a força da flutuação é capaz de fornecer suporte completo ao corpo, proporcionando efeitos impossíveis em terra. Há paraplégicos, por exemplo, que não sentam em terra, mas podem fazer estas flexões e até caminhar dentro d’água”, explica a hidroterapeuta Viviana Restier.
Para lesões da coluna vertebral, como hérnias de disco, a hidroterapia oferece recuperação eficaz e alívio efetivo de dores em três meses de tratamento em média, com sessões de 40 minutos cada, duas vezes por semana. Nos casos de fibromialgia, comum em mulheres de meia-idade, o alívio pode ser sentido em dois meses de terapia, também com duas sessões semanais. A fisioterapeuta Viviana Restier diz que a melhora da circulação e, conseqüentemente, da oxigenação do organismo proporcionada pelos exercícios na água morna proporciona resultados não alcançados tão facilmente por tratamentos convencionais da fisioterapia, como ondas curtas de calor ou ultra-sons.
ESTÍMULO – Outro efeito que só os pacientes e hidroterapeutas conhecem é o estímulo psíquico proporcionado pela liberdade de movimentos alcançada dentro d’água, por exemplo, por paraplégicos ou pacientes com seqüelas de acidentes vasculares cerebrais (AVC).
“Os pacientes experimentam uma alegria ao se movimentarem na água, que atua decisivamente na melhoria de suas condições emocionais gerais, proporcionando um estado de espírito positivo que vai influenciar substancialmente o processo de recuperação das lesões físicas. Há uma frase do fisioterapeuta americano Harold Dull, criador das técnicas conhecidas como watsu, o shiatsu dentro d’água, que eu adoro e costumo repetir para meus pacientes: ‘Na água, a alma encontra a liberdade que o corpo perdeu’. Essa é uma vantagem fundamental da hidroterapia”, diz Viviana.
O trabalho emocional se beneficia ainda do contato mais intenso com o outro, no caso o terapeuta, através do toque, da proximidade, da intimidade psíquica e física proporcionada pelo trabalho na água.
“A recuperação se deve ao toque e ao prazer de estar na água sendo tratado por alguém, o que ajuda muito”, explica a terapeuta.
HIDRO E WATSU – As técnicas do watsu, popularizadas como exercícios de relaxamento orientados por professores de educação física nas aulas de hidroginástica, retoma seus fundamentos terapêuticos originais quando são incorporadas à hidroterapia pelos fisioterapeutas. Viviana Restier adverte, porém, que a formação em watsu autorizada no Brasil é de no mínimo de 180 horas de curso, dividido entre etapas feitas no Rio e em São Paulo. A técnica, segundo ela, deveria ser praticada apenas por fisioterapeutas especializados.
“Eu sei que muitos professores de hidroginástica dão movimentos de watsu em suas aulas, mas isso é um relaxamento de educação física. A técnica terapêutica exige uma formação mais elaborada”, diz.
O watsu foi criado há 15 anos por Harold Dull, nas águas quentes da Califórnia, quando ele, técnico em shiatsu, constatou que a massagem oriental associada às propriedades terapêuticas da água, tornam os toques e os alongamentos muito mais eficazes.
No watsu, o paciente permanece flutuando na piscina de água morna, sendo conduzido pelo terapeuta por meio de movimentos suaves, como os de uma dança aquática. Além do alívio de dores e da proteção muscular, o watsu aumenta a circulação periférica, melhora a capacidade respiratória e a postura, alivia a fadiga e a insônia.