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EDUCAÇÃO
Game e biologia nas aulas do CIn

Centro de Informática da UFPE avança na modernização e lança disciplinas, visando, entre outros, a computadores vestíveis e criação de games

por MÁRCIO PADRÃO
mpadrao@jc.com.br

Reconhecido como um dos melhores do País, o curso de Ciências da Computação da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) tem buscado aprimorar esse patamar. Nos últimos dois anos, pelo menos quatro disciplinas eletivas praticam o que há de mais atualizado com as tendências da Informática.

A previsão mais otimista é de transformar Recife, daqui a alguns anos, em um pólo de informática em áreas que hoje são pouco exploradas na cidade, como jogos para computador ou em wearable computers (os computadores que são pequenos acessórios e podem ser levados como parte da vestimenta).

O curso Projeto e Implementação de Jogos, do professor Geber Ramalho, visa estimular o mercado local de games. “Eles têm uma vantagem sobre os outros softwares. Um usuário não compra dois editores de texto, mas possui vários jogos”, raciocina.

A disciplina teve início em setembro e inscreveu 50 alunos da graduação e pós-graduação, número considerado recorde para uma eletiva. Os estudantes aprendem tecnologias gráficas baseadas no DirectX, a plataforma mais usada na produção de jogos. O sistema realiza uma espécie de otimização entre o hardware do computador e os requisitos de sistema de cada jogo. O resto do conteúdo é dividido em entrada de dados (como joystick), bibliotecas gráficas e de som, conexão na Rede (jogar com outras pessoas na Internet) e inteligência artificial na criação de personagens non-player, isto é, os coadjuvantes do jogo com ‘vida’ própria: oponentes, monstros, veículos.

A inteligência artificial também é objeto de estudo em mais duas disciplinas: Sistemas Embutidos, de Sérgio Cavalcanti, e Data Mining, ou Mineração de Dados, do professor francês radicado no Brasil Jacques Robin.

“O curso de Sistemas Embutidos é dedicado tanto para quem quer se inserir na área propriamente dita quanto para quem irá interagir com os sistemas tradicionais”, define Cavalcanti. Os alunos estudam desde circuitos temporizadores até conversores analógico-digitais, medidores de temperatura, pressão, e infravermelhos. A parte prática inclui uma simulação do processador, criado pelos alunos em um software no PC e depois transportado para uma placa de 10 centímetros quadrados.

INTERESSE – Como o conceito de Mineração de Dados, ou Data Mining, vem chamando a atenção de muitos estudantes, a disciplina de Jacques Robin recebeu essa alcunha, que na opinião do professor, não é a ideal. “Prefiro dizer que ensino Sistemas de Apoio para Tomar Decisões. O Data Mining é um dos processos”, comenta. “Eu e Paulo (Adeodato, um dos professores da eletiva) notamos que armazenar dados está ficando mais barato para as pequenas empresas. Por isso, pensamos em criar algo nesse sentido”.

Os bancos de dados são divididos em acumulativos e transacionais. O primeiro tipo faz um levantamento de informações por tempo: hora, dia, semana etc. O segundo guarda a história da evolução dos dados. No caso das vendas de uma empresa, é possível traçar diferentes perfis de acordo com a idade e o sexo dos consumidores, ou identificar em que época um determinado produto é mais vendido.

A professora Kátia Guimarães também exige dos alunos um conhecimento fora das paredes do Centro de Informática. A disciplina Introdução à Biologia Molecular foi aberta no início do ano com dois objetivos: ensinar o uso de softwares de análise de seqüências e avançar na pesquisa conjunta com a Unicamp no mapeamento do genoma da cana-de-açúcar. “Para entender a organização lógica dos genes e cromossomos, o pré-requisito básico são os algoritmos”, aponta Kátia. O curso é dado em conjunto com o Departamento de Genética da UFPE, que levou seis de seus alunos a participarem como ouvintes das aulas. A previsão é de mapear mais de 50 mil genes da cana até a conclusão do projeto.

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Jornal do Commercio
Recife - 06.12.2000
Quarta-feira