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PARTIDOS II
‘Convergência Socialista’ originou o PSTU

Em 1993, o PT passou por um processo de reformulação que terminou excluindo do partido a sua facção mais polêmica: a Convergência Socialista (CS). Considerada a tendência mais radical do partido desde a sua fundação, em 1979, a CS reunia líderes do movimento sindical e estudantil e representantes de outras correntes da chamada ‘ultra-esquerda’. Desde o início da década de 90, seus integrantes vinham travando duras batalhas dentro do PT na tentativa de fazer valer suas teses.

De acordo com um dos ex-líderes da tendência, Joaquim Magalhães, a CS reprovava, por exemplo, o tom “moderado” com que o PT tratou temas polêmicos, como o movimento “Fora Collor”. A metralhadora da Convergência também não perdoava as alianças com partidos de centro-esquerda. Por último, segundo Magalhães, pesou na decisão da CS de abandonar o partido a iniciativa da direção petista de não permitir que as tendências tivessem suas próprias publicações.

Solidária às queixas da CS contra o comportamento ‘light’ do PT, outra corrente deixou o partido na mesma época: o Movimento Socialista Revolucionário. Muito menor que a CS, o MSR havia sido fundado pelo próprio Joaquim Magalhães e por Carlos Pantaleão poucos meses antes do racha que excluiu as duas tendências. Um ano depois, em 1994, a CS e o MSR se uniram a outros setores de esquerda e fundaram o Partido Socialista dos Trabalhadores Unificados.

Apesar de relativamente novo, o PSTU é conhecido do eleitor. Em Pernambuco, já disputou três eleições majoritárias, em 96, 98 e 2000. Dono de um discurso inflamado, o partido se dispõe a defender intransigentemente a classe trabalhadora, a combater a burguesia e o neoliberalismo. Mas rejeita a classificação de ‘radical’. “Essa palavra significa muita coisa. O PFL, por exemplo, é radical na defesa dos ricos. O PT, hoje, é radicalmente a favor da gestão burguesa. Nós não somos radicais. Somos uma corrente socialista que defende os interesses dos operários”, justifica Joaquim Magalhães, presidente do PSTU.

Segundo ele, a antiga CS já lutava por esses ideais antes mesmo de ajudar a fundar o PT. Em seu estilo direto, Magalhães acusa as atuais tendências petistas de se basearem em “documentos provisórios e teses circunstanciais”. “Antigamente haviam propostas fundamentadas. Hoje é tudo efêmero. Até para eleger parlamentares se forma uma tendência no PT”, conclui.

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Jornal do Commercio
Recife - 10.12.2000
Domingo