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PREVIEW
Melissa de Andrade

Hackers tupiniquins

Há quem diga que o Brasil não é só o país do futebol e do samba, mas também o país dos hackers. Exageros à parte, na semana passada os piratas cibernéticos tupiniquins estavam com tudo. Pelo menos três ataques se tornaram públicos.

Primeiro foi o site do Banco Central. O conteúdo foi trocado por um texto poético por invasores identificados como Prime Suspectz.

Depois o grupo Insanity Zine Corp. invadiu o site da empresa de antivírus Network Associates/McAfee. Na página foram deixadas ofensas ao governo brasileiro, políticos, Rede Globo, pagodeiros e ao Padre Marcelo Rossi.

Por último, foi a vez do endereço do Congresso Nacional. O mesmo Prime Suspectz colocou uma mensagem criticando a CPI do Futebol e pedindo a prisão do juiz Nicolau dos Santos Neto, o Lalau.

Apesar de não ter nenhum Kevin Mitnick, hacker famoso que foi perseguido e preso pelo FBI e hoje é consultor de segurança, o Brasil protagonizou algumas invasões que ganharam bastante repercussão. No Nordeste, um dos casos mais falados é o do provedor Elógica (hoje Inter.Net), invadido há dois anos e meio. Os invasores alteraram vários arquivos e deram um trabalho de seis dias para a empresa pôr seu banco de dados em ordem, graças ao bom e velho backup.

Se a atividade de hacker é do bem ou não, é assunto para outra coluna. Mitnick diz que sim, argumentando que se trata de um grupo que pode usar seu conhecimento para o bem (coisa que ele não fez). Mas como hacker competente é aquele que não é descoberto (portanto, não conhecido), quem sabe os nossos sejam melhores até que os hackers dos outros?


Jornal do Commercio
Recife - 06.12.2000
Quarta-feira