LG_jc.gif (3670 bytes)

FÉRIAS II
As normas antes de embarcar

Enfim, chegaram as férias de dezembro. Depois de quase dois semestres de boletins, livros e trabalhos escolares, é a vez de a garotada curtir um bom descanso. Para os pais que ainda não armaram nenhum programa especial para os seus ‘filhotes’, aí vai uma sugestão: que tal dar aos baixinhos a oportunidade de uma divertida viagem? Se ficaram animados com a idéia, a garantia é de que a meninada vai gostar mais ainda. Porém, aqui vai um alerta: excursões infantis, ou até mesmo em família, embora indiquem momentos de pura descontração, podem se tornar um pesadelo caso algumas precauções não sejam tomadas com antecedência.

Se o programa for direcionado unicamente aos filhos e se o percurso for de avião, os pais de primeira viagem devem ficar atentos no que diz repeito à legislação e aos cuidados na hora de marcar a passagem. Quando isso não acontece, os contratempos, fatalmente, começam surgir antes mesmo do embarque. De acordo com o assessor de comunicação da Empresa Brasileira de Infra-Estrutura Aeroportuária (Infraero), Jorge Tadeu de Andrade, menores até 12 anos, dentro do território nacional, precisam de autorização judicial para viajar desacompanhados dos pais. Já, quando embarcarem sem os pais, mas acompanhados de ascendente ou colateral (irmãos, tios, avós e bisavós), precisarão apresentar apenas a certidão de nascimento. “Segundo as instruções do Manual do Usuário do Transporte Aéreo, os jovens de faixa etária entre 12 e 18 anos, quando sozinhos, podem viajar pelo Brasil mediante apresentação da certidão ou carteira de identidade”, acrescenta Jorge.

Mas, se o destino for internacional, as exigências são mais severas. Conforme a legislação, menores de 18, quando sozinhos, devem apresentar autorização judicial. Já, se viajarem acompanhados de um dos pais, o documento é dispensável, necessitando apenas da autorização registrada em cartório do outro pai (veja o modelo ao lado). Quanto à anotação, ela pode ser obtida no ato da requisição do passaporte ou depois, sendo escrita nesse documento pela Polícia Federal.

É bom lembrar que, se a meninada estiver viajando em algum tipo de excursão, o portador da autorização será alguém, maior de 21, que esteja coordenando o passeio. Caso as crianças tenham que tomar um avião sozinhas (sem pertencer a nenhum grupo de viagem), elas serão mantidas sob guarda dos funcionários da empresa aérea tanto em terra quanto quando estiverem no avião.

Ao planejar as férias dos filhos para um lugar mais distante, outro ponto que não deve ser deixado de lado é a questão do conforto durante o trajeto de ida e volta. Como a maioria das crianças é inquieta, é bom verificar, cuidadosamente, detalhes como horários de vôos e suas escalas. A preferência deve ser dada às linhas diretas, pois minimizam o tempo de viagem. De acordo com muitos guias de viagem infantis, é preferível que os baixinhos viajem à noite, quando provavelmente adormecem.

TARIFAS E ASSENTOS – Quanto aos preços das passagens aéreas, eles são diferenciados para os ‘turistas-mirins’. Até dois anos, as crianças não têm direito a um assento, devendo, portanto, viajar no colo do acompanhante ou em um berço oferecido pela empresa. Para essa idade, as companhias cobram 10% do preço integral da passagem de um adulto. Já dos dois até os 12, a garotada paga 50% da tarifa normal e tem um assento garantido.

Para que o caminho de ida e volta não se torne uma maratona de cansaço com o vaivém ao toalete e à cabine de comando – que a criançada adora visitar –, ao marcar as passagens, os pais já devem reservar o assento dos menores perto desses dois lugares. Porém, se a empresa aérea não disponibilizar a reserva com facilidade, o ideal é exigir. Oficialmente, de acordo com o DAC, as poltronas das primeiras filas de todas as classes são destinadas às crianças. Ainda no avião, os pequenos passageiros também têm direito a uma alimentação especial, a child meal, considerada mais atrativa.

ORGANIZAÇÃO – Um bom exemplo de que viajar com crianças não é uma tarefa difícil é dado pela pedagoga Lucila Neves. Mãe de três filhos – Antônio (21), Rafael (18) e Filipe (16)–, Lucila diz que sempre gostou de levá-los para viajar nas férias. “Os melhores passeios que fizemos foi quando eles ainda eram pequenos. Tive a oportunidade de levá-los à Disney e posteriormente à Europa, roteiro que mais os deslumbrou, apesar de ser considerado um roteiro de ‘gente grande’. Foram duas experiências muito marcantes para todos nós. Como tinha o costume de viajar, organizei tudo direitinho, desde procedimentos legais até a escolha da bagagem. Embora o ritmo seja mais lento, viajar com crianças não chega a ser nenhum problema”, garante.

___________________________________


Jornal do CommercioRecife - 07.12.2000
Quinta-feira