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VIOLÊNCIA
Sem-terra denunciam que um dos líderes está desaparecido

Cerca de 40 barracos de integrantes do Movimento dos Sem Terra (MST) foram queimados ontem em dois engenhos, Araújo e Cova, que pertencem à Usina Bulhões em Moreno, Grande Recife. Um dos líderes do acampamento do engenho Araújo conhecido por `Sula' está desaparecido. Segundo o MST, ele foi baleado por pistoleiros que teriam sido contratados pelos donos da usina.

Um dos diretores da Usina Bulhões, contactado ontem às 21h50 e que pediu para não ser identificado, negou as acusações. Ele afirmou que a empresa não teria condições de contratar pistoleiros e que não houve violência. Segundo o diretor, o acampamento do engenho do Cova havia sido desocupado há 15 dias, por determinação da juíza de Moreno. "Não somos contra o MST, tanto que já cedemos 1,5 mil hectares de terra. O engenho Serraria foi desapropriado no ano passado", afirmou. Ele salientou que os dez engenhos pertencentes à Usina Bulhões são produtivos.

De acordo com o líder do acampamento do engenho da Cova, João da Silva, na terça-feira 21 de dezembro dois caminhões da usina chegaram acompanhados de quatro viaturas da polícia e os expulsaram de lá. Silva afirma que pelo menos 30 sem-terra já haviam voltado ao local e novamente levantado barracas. "Por volta das 13h30 quatro homens armados tocaram fogo nos 30 barracos. Eles encostaram as pistolas nas cabeças dos companheiros e disseram que não era para voltar senão eles iriam matar todo mundo", afirmou Silva.

No engenho Araújo existiam 12 barracos que foram queimados no final da tarde. Silva afirma que os sem-terra que ocuparam o local fugiram com medo dos pistoleiros, mas que `Sula' teria ficado para tentar conversar com eles. "Depois disso, os companheiros ouviram tiros e um menino disse que viu Sula levar um tiro", completou.

O líder do MST em Recife, Jaime Amorim, foi cauteloso nas declarações e disse que os esforços agora serão para encontrar o sem-terra desaparecido. Amorim informou que irá fazer uma manifestação na frente do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), hoje, em protesto ao que aconteceu na usina. "Desde 98 temos a promessa do Incra de que seria feita uma vistoria naqueles engenhos, mas até agora nada. O resultado é essa violência", afirmou.

Quatro dos 10 engenhos da Usina Bullhões estão ocupadas pelos sem-terra: Araújo, Cova, Vaz do Una e Poço Dantas. Muitas das pessoas que estão nos acampamentos são moradoras da usina. Um dos cortadores de cana, Severino José Alves diz que a empresa pagou parte do salário de dezembro e parte do 13º.

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Jornal do Commercio
Recife - 11.01.99
Terça-feira

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