TEXTO CONTEMPORÂNEO
A lembrança de uma
cidadepor MÁRIO HÉLIO*
Quando se ouve hoje a expressão que
define o Recife como a Veneza Brasileira quase não é
possível fazer idéia de uma cidade rigorosamente
"metade roubada ao mar", como nos versos de
Carlos Pena Filho. Os rios degradaram-se, como as
pessoas, que mudaram mais do que os natais machadianos.
Mas, no século passado, o Recife que
fascinou a infância de Manuel Bandeira era outro. Muito
mais lento e bucólico. Muito mais pachorrento, como se
dizia antigamente. É esse Recife de antigamente que se
pode reencontrar na publicação Recife nos tempos da
Província, patrocinada pelo Varejão do Estudante, e
oferecida como brinde de Natal e ano novo, que ainda pode
ser encontrada no local, como uma pequena pérola para
estudantes e estudiosos interessados no passado da
cidade.
Recife nos tempos da Província foi
coordenado e organizado pelo jornalista Fernando Menezes,
com projeto gráfico de Patrícia Marinho e impresso nas
Edições Bagaço. A obra serve como um verdadeiro
glossário da cidade, retratando desde (e logicamente em
primeiro lugar) a origem do seu nome até as principais
formas de lazer daquela época.
Os textos servem como retalhos de
comparativo de uma cidade que sofreu muitos ataques de um
urbanismo tão criticado por engenheiros poetas como
Joaquim Cardozo. Lendo-os e vendo-as é possível saber
como as pessoas se comunicavam, divertiam-se e viajavam.
Como, enfim, era a vida de cada dia, e o que ficou na
memória
* Editor do JC Cultural
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