LG_jc.gif (3670 bytes)

INVESTIGAÇÃO
Vinte indiciados por fraude no vestibular

por Bruna Cabral

Vinte indiciados e um preso. Esse é o resultado da investigação que a Polícia Federal encerrou, ontem, sobre a quadrilha que agia há pelo menos dois anos fraudando vestibulares em dez estados do Brasil. Entre as quatro tentativas de fraude detectadas nos concursos realizados no final do ano passado pela UFPE, UFRPE e UPE, apenas uma foi bem sucedida, garantindo a classificação de um candidato ao curso de medicina oferecido pela UFPE, com uma média de 7,8119. No entanto, segundo o vice-presidente da Comissão de Vestibular das universidades federais (Covest), Armando Cavalcanti, o candidato será desclassificado, “dando lugar a um dos feras que está na espera pela lista dos remanejamentos”. O estudante também já foi indiciado pela Polícia Federal (PF) por formação de quadrilha, estelionato e falsidade ideológica.

O relatório com todas as informações foi encaminhado no começo da noite de ontem para a Justiça Federal, mas a delegada Andréia Medeiros, responsável pelo caso, não descarta a possibilidade de dar continuidade às investigações. “O procurador pode permitir que novas diligências sejam feitas para finalizar o inquérito”.

Segundo a polícia, o grupo atuava contratando ‘dublês’ para fazer as provas no lugar dos vestibulandos, mediante o pagamento de valores que variavam entre R$ 13 mil a R$ 25 mil, de acordo com o curso escolhido. O dublê George Evandro Barreto Martins, 25 anos, e Francisco Alves Gondim Neto, 37, apontado pela PF como o líder do grupo, foram os primeiros envolvidos a ser identificados. Os dois acusados foram presos no primeiro dia de provas da UPE (12 de dezembro) e Francisco Alves é o único dos indiciados que continua detido.

A partir do depoimento de 30 envolvidos e da documentação encontrada na sede de atuação do grupo no Recife, a Polícia Federal já identificou 12 ‘dublês’, que faziam as provas no lugar dos estudantes, usando carteiras de identidade falsificadas, nas quais constavam os dados do candidato inscrito, mas a foto e as digitais de um dos membros da quadrilha. “Sabemos da existência de 15 ‘dublês’, mas não conseguimos chegar a três deles. É um esquema de gênio”, afirmou Andréia.

A investigação envolveu também viagens ao Ceará, onde moravam muitos dos envolvidos, e quebras de sigilo bancário. “Descobrimos que todos os pagamentos eram depositados pelos pais dos vestibulandos em contas conjuntas com Francisco Alves, por isso bloqueamos todas as contas bancárias que estavam em seu nome”.

________________________________________


Jornal do Commercio
Recife - 11.01.2000
Terça-feira