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HABITAÇÃO
Morador do Sítio Ouro Preto exige novo terreno

Cerca de 100 famílias da comunidade do Sítio Ouro Preto invadiram, ontem, a Prefeitura de Olinda, para protestar contra os deslizamentos ocorridos na última semana e que terminou destruindo parte de uma casa no próprio local. De acordo com os manifestantes – que moram às margens da 2ª Perimetral, em Ouro Preto – essas quedas de barreiras são ocasionadas pelas chuvas e vêm ocorrendo há vários anos. Eles alegam que nenhuma providência foi tomada para solucionar o problema. Os moradores exigem sua transferência para uma outra área mais segura.

As famílias chegaram à prefeitura por volta das 9h acompanhadas por integrantes do Movimento Urbano dos Sem Teto (Must), que também apóiam a reinvidicação. Os policiais tentaram proibir a entrada dos manifestantes, fechando as portas e janelas do prédio, além de terem ameaçado com armas. Na confusão, as famílias conseguiram invadir a sede da prefeitura e permaneceram no prédio até serem recebidas por representantes do Governo.

De acordo com um dos coordenadores do Must, o reverendo da Igreja Episcopal Anglicana Marcos Cosmo, a situação é de risco para os moradores do Sítio Preto e a prefeitura precisa fazer algo urgentemente. “O que não podemos é esperar que uma desgraça aconteça”, afirma. A estimativa é que o déficit habitacional no município de Olinda seja da ordem de 20 a 30 mil, considerando as áreas de risco. Em Pernambuco, existem cerca de 330 mil famílias sem casa.

Só por volta das 10h, os moradores conseguiram ser recebidos por representantes da prefeitura. “Vamos analisar o caso e verificar se há algum terreno para instalar todas as famílias o mais rápido possível”, garantiu o secretário de Políticas Sociais de Olinda, Carlos Castro. Para ele, um dos grandes entraves para a construção de casas populares em locais fora de risco é a falta de dinheiro. “Nenhum governo municipal consegue isso sem recurso federal”, diz. Atualmente, as casas populares são construídas através do Programa Habitar Brasil, com verba do Orçamento Geral da União (OGU).

REUNIÃO – A comissão formada pelos moradores, o Must e os secretários da prefeitura deverá se reunir na próxima quinta-feira para discutir o problema. Na ocasião, o Must vai entregar uma lista com as famílias que moram no local. Até agora, já foram cadastradas um total de 130.

Se a prefeitura não resolver o caso, os manisfestantes prometem invadir algum terreno de Olinda na própria quinta-feira. “Existem áreas em Jardim Fragoso, Cidade Tabajara ou mesmo Rio Doce que podem ser desapropriadas para a construção de novas casas”, garantiu o reverendo Marcos Cosmo.

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Jornal do Commercio
Recife - 11.01.2000
Terça-feira