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MANDACARU
Fazenda espera relatório para definir quebra de sigilo

A presidente do Conselho de Atividades Financeiras (Coaf) do Ministério da Fazenda, Adrienne Giannetti de Senna, aguarda ainda esta semana o relatório final da investigação financeira que o comando da Operação Mandacaru realiza nas cidades do Polígono da Maconha, para decidir se será preciso pedir a quebra de sigilo bancário dos suspeitos de lavagem de dinheiro na região. Em dezembro, o secretário executivo da Coaf, Hélio Carlos Gehrke, e um técnico do conselho estiveram no Sertão pernambucano e iniciaram o levantamento na movimentação dos bancos locais.

De acordo com a presidente do Coaf, a investigação dos indícios de lavagem de dinheiro demanda muito mais tempo do que a identificação dos plantios e erradicação da maconha. Apesar de estarem relacionadas, as duas modalidades de crime precisam ser apuradas em ritmos diferentes.

“Uma fraude financeira não é facilmente identificável. Não é como as plantações de maconha que são palpáveis e podem ser localizadas e erradicadas. As movimentações financeiras são todas protegidas por sigilo bancário”, afirmou Adrienne Senna.

As informações que o serviço de inteligência do comando da Operação Mandacaru está levantando complementarão o trabalho do secretário executivo do Coaf e o relatório final serão encaminhado à Polícia Federal e ao Ministério Público.

O coordenador-geral da Operação Mandacaru, general Gilberto Serra, confirmou a investigação paralela que o comando da operação está realizando no Sertão, mas advertiu que só vai detalhar o assunto quando forem conseguidos os primeiros resultados. “Por enquanto vamos manter o sigilo”, disse Serra.

De fato, apesar de funcionários do Banco do Brasil de Salgueiro, por exemplo, terem informado que depósitos acima de R$ 10 mil, realizados por pessoas que não possuem qualquer atividade comercial conhecida, são comuns, a assessoria do banco no Recife não pode revelar se a agência está entre as campeãs de movimentação do estado. A assessoria do banco justificou como “medida de segurança”, o segredo sobre a posição da agência de Salgueiro no ranking de investimentos privados nos bancos do Estado.

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Jornal do Commercio
Recife - 11.01.2000
Terça-feira