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UM ANO APÓS A CRISE Exportadores e importadores já não pensam mais no passado Um ano depois de ver o real perder até 50% de seu valor da noite para o dia, os setores da economia fazem um balanço dos mortos e feridos. E, dentre esses segmentos produtivos, talvez os que lidam com exportações e importações tenham sido os que tiveram a rotina modificada mais bruscamente. Hoje, fazendo uma observação menos nervosa, eles percebem que não houve tantos mortos assim e as feridas já estão quase totalmente cicatrizadas. O cenário futuro está menos negro para a economia do País. Na Karne Keijo, distribuidora de alimentos industrializados sobretudo carne para pequenos e médios varejistas, a média de importação caiu de 90% para cerca de 30% nesses últimos 12 meses. Só mesmo os produtos que não tem produção interna, como fígado e picanha, continuamos importando, afirmou o diretor executivo da empresa, Inácio Miranda. O empresário diz, ainda, que o produto nacional tem melhor qualidade do que o estrangeiro. Importávamos mais por conta do preço menor do que da qualidade da mercadoria, admite. Miranda considera que, nesse período, o preço da carne nacional aumentou pouco: no máximo 15% desde janeiro do ano passado. Para o setor que negocia com o exterior no sentido inverso do da Karne Keijo, ou seja, pratica a exportação, a desvalorização do real não poderia ter vindo em melhor hora. Os fruticultores do Vale do São Francisco são um exemplo. A valorização do dólar fez com que as vendas para o mercado externo crescessem entre 40% e 50%. O Grupo Milano, produtor de frutas em Santa Maria da Boa Vista, aumentou de 10% para 30%, na média, o índice de exportação de sua produção. O aumento das vendas de manga para o mercado externo foi ainda mais significativo. A exportação era praticamente insignificante há um ano. Hoje, metade da nossa produção é destinada ao exterior, comemora o diretor do grupo, José Gualberto. R$ 1,99 No varejo, o alvoroço da desvalorização da moeda nacional também obrigou algumas adaptações. Os donos das lojas de preço único passaram noites sem dormir com as mudanças cambiais. Mas continuam vendendo seus produtos pelo mesmo preço. A qualidade das mercadorias até melhorou, garante Fernando Santos, proprietário das lojas Locomotiva e Pag Lev. Segundo ele, produtos de couro, vidro e até neve artificial foram algumas das novidades que estiveram à venda no último Natal. Tudo por R$ 1,99, o mesmo preço de três anos atrás, quando as duas redes de lojas foram inauguradas. A participação dos produtos importados nas prateleiras caiu pela metade, o que não espantou o comerciante. Mas, o pouco que ele continuou importando passou a ser comprado em muita quantidade. Só assim consigo ter mais barganha para negociar, conta Santos. |
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