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UM ANO APÓS A CRISE II Balança comercial manteve déficit Mas se a desvalorização cambial beneficiou as exportações, os brasileiros se perguntam por que o País ainda convive com um déficit da balança comercial de mais de US$ 1 bilhão, como o registrado no ano passado. O resultado é uma prova de que as vendas para o mercado externo não cresceram na mesma intensidade da queda das importações. Para José Gualberto, diretor do Grupo Milano, exportador de frutas, falta uma política de incentivo às exportações. Não dá para ter capital de giro suficiente com uma taxa de juros de 25% a 30% ao ano. No exterior, os juros não passam de 10%, reclama o produtor. Ele conta que frutas embarcadas para o mercado externo em setembro, estão sendo pagas agora. A economista Tânia Bacelar, apesar de observar alguns esforços vem sendo feitos pelo Governo para melhorar o nível das exportações, concorda que essas iniciativas ainda são tímidas. Exporta-se, no Brasil, menos de 10% do Produto Interno Bruto (PIB), índice considerado ridículo por ela. A economista aponta duas razões como as principais para a desvantagem da balança comercial. Uma é o mercado externo desaquecido na época da liberação do câmbio. A outra seriam o preços das commodities, que são o principal produto brasileiro negociado no exterior e que estiveram em queda no primeiro semestre do ano passado. Mesmo assim, Tânia Bacelar diz que o Governo agiu certo ao promover a liberalização do real. Teria sido pior se essa medida não tivesse sido adotada, opina. ANO BOM Ela observa que o cenário macroeconômico está mais favorável ao País este ano. Os preços das commodities, por exemplo, vem tendo uma alta desde o último semestre do ano passado. A balança comercial brasileira, mesmo em desvantagem, também vem apresentado melhora, na visão da economista. Em 98, registramos um déficit de US$ 6 bilhões. Além disso, o nosso último superávit foi em 94, no primeiro ano do Plano Real, lembra ela. Tânia prevê que o comércio com os países europeus e asiáticos deve ter um aumento este ano. Já com os Estados Unidos, que começa a entra numa fase de estabilização econômica ou, pelo menos, desaceleração do crescimento, e os países do Mercosul devem haver uma redução no saldo movimento comercial. Mas o grande potencial do País, para a economista, está no mercado interno. A exportação deve ser encarada como algo complementar, como fazem os países industrializados, observa ela. O poder de consumo da nossa população é enorme, complementa. |
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