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Segurança no Agreste

Com a instalação, no último dia 4, no município de Bezerros, do primeiro Núcleo Integrado de Segurança Comunitária de Pernambuco, pode-se dizer que o Governo Jarbas Vasconcelos inaugurou, de fato, a nova política de Segurança Pública no Estado.

A escolha de uma cidade do Agreste demonstra que as autoridades concordam com a necessidade de priorizar o atendimento a setores da populações necessitados. Pretende-se, com isso, manter uma linha de atuação mais constante numa área que sempre se ressentiu de ajuda governamental.

Na opinião do professor José Luiz Ratton, que realizou uma pesquisa sobre a segurança pública, “a violência explode onde não há o Estado”. Ele constatou também que “a presença da polícia é diretamente proporcional ao valor do metro quadrado de cada bairro”. Recentemente, noticiou-se que vêm crescendo os assaltos a sitiantes, em cidades do interior, por quadrilhas confiantes no isolamento e no despoliciamento das áreas rurais. A instalação do primeiro núcleo de segurança chegou, portanto, em boa hora.

Mas, em que se constitui, realmente, o Núcleo Integrado de Segurança Comunitária? Trata-se, segundo os seus executores, de uma espécie de unidade policial mista, composta por efetivos da Polícia Militar, da Polícia Civil e do Corpo de Bombeiros. Tenta-se, dessa forma, unificar as ações de entidades policiais que vinham agindo isoladamente, tendo assim um histórico de rivalidades nem sempre discreta ou silenciosa.

Para a instalação do grupo pioneiro de Bezerros, o Governo do Estado conseguiu uma parceria com a Prefeitura local. E o mesmo procedimento está sendo tentado em relação a outros municípios. Onde não for conseguido, pelos caprichos da política, o núcleo deverá mesmo assim ser implantado pelo Governo estadual. A população é que não pode ser prejudicada por eventuais desencontros entre prefeitos e autoridades estaduais.

Depois da primeira experiência, as atenções se voltam para o Sertão, área considerada mais explosiva do que o Agreste. Lembre-se, mesmo, que numa pesquisa feita em 1996 para conhecer as cidades mais violentas de Pernambuco, Bezerros não apareceu. Na sub-região fisiográfica em que se situa, os destaques negativos ficaram para Lajedo, Limoeiro, Caruaru, Garanhuns, Vitória de Santo Antão e Canhotinho.

Mas o Sertão, pelo menos o do São Francisco, que tem fama de área mais violenta do Estado, respirou um pouco de paz com a chegada das tropas federais envolvidas na luta pela erradicação da maconha.

Agora, que os soldados federais cumpriram a primeira parte do programa e voltarão a seus locais de origem, conforme já foi noticiado, a Operação Mandacaru vai prosseguir numa nova etapa, com os efetivos das forças públicas estaduais.

Será o momento de entrarem em funcionamento os novos núcleos integrados de Segurança Comunitária. Eles serão em número de 184, cobrindo toda a extensão do Estado.

Os pernambucanos esperam que se consolide, a partir deste ano, o esforço iniciado em 1999, para fazer cair as estatísticas do crime, no Estado.


Jornal do Commercio
Recife - 11.01.2000
Terça-feira