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PESQUISA Histerectomia traz riscos para mulher A histerectomia, cirurgia para retirada do útero, largamente realizada no Brasil, pode implicar em mais riscos para a saúde da mulher do que se imagina. A conclusão é o do ginecologista Luís Carlos Santos, chefe do Centro de Atenção à Mulher (CAM) do Imip, que recentemente teve sua pesquisa sobre o tema premiada, na categoria principal, no 48º Congresso Brasileiro de Ginecologia e Obstetrícia, ocorrido em Goiânia. Acompanhando 441 cirurgias feitas no hospital, num período de cinco anos, o médico observou que a histerectomia envolve riscos tanto de mortalidade quanto principalmente de morbidade - isto é, conseqüências que só são geradas em função da ocorrência do ato cirúrgico - bastante altas. "A partir da análise da amostra, constatou-se que os riscos de infecção pós-operatória neste tipo de cirurgia é de 10%, o que representa 42 das mulheres acompanhadas", revela Santos. O fato, segundo ele, é alarmante, uma vez que nas cirurgias consideradas limpas, onde não há contato com bactérias, esse número é de apenas 2%. Isso indica que o risco numa histerectomia, indicada muitas vezes sem real necessidade, é cinco vezes maior. De acordo com o ginecologista, algumas variáveis também foram consideradas no estudo. No caso de mulheres acima de 60 anos, por exemplo, cuja imunidade é mais baixa, o ginecologista comprovou que o perigo de infecção se intensifica, tornando-se cinco vezes maior. Se a paciente é diabética, então, o risco é 22 vezes mais frequente. "O treinamento e habilidade do médico para a cirurgia também é de fundamental importância, já que uma permanência superior a duas horas na sala de operação implica em riscos oito vezes maiores", ressalta. Por outro lado, a indicação da cirurgia (patologia benigna ou maligna) não influi nas conseqüências. A boa notícia, por sua vez, é a incidência 50% menor de infecção quando se dá o uso de antibiótico profilático. As estatísticas mostram que, no mundo inteiro, existem aproximadamente 20 milhões de mulheres sem útero. Entre as brasileiras, especificamente, cerca de 26% das mulheres pertencentes à classe média já se submeteram a uma histerectomia, enquanto nos EUA esse índice é significativamente menor, representando apenas 12%. Para Santos, os números verificados no Brasil são fruto da falta de bom senso tanto por parte dos especialistas quanto das pacientes. "É preciso ter em mente que o útero tem sua utilidade durante a vida inteira e não pensar que ele pode ser um órgão descartável após o período da fertilidade feminina", destaca o médico, acrescentando que só em casos de fibromas ou miomas grandes e nos diagnósticos de câncer é que se deve apelar para a histerectomia. Além das infecções, outras seqüelas geradas pela cirurgia, afirma o especialista, é a antecipação em cerca de cinco anos da menopausa, assim como lesões e alterações anatômicas no aparelho urogenital. "Por tudo isso não vale a pena arriscar a vida nem a saúde da paciente, a não ser num caso extremo". |
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