LG_jc.gif (3670 bytes)

DRAMA
Críticos querem que João Paulo renuncie

ROMA - O papa João Paulo II "vive um drama há algum tempo", pois tem se questionado se deve continuar guiando a Igreja ou renunciar ao pontificado. A afirmação, do intelectual católico Vittorio Messori, autor de livro de entrevistas com o papa, foi publicada, ontem, pelo jornal italiano "La Stampa".

As revelações foram feitas pouco depois de uma entrevista concedida pelo presidente da conferência episcopal alemã e bispo de Magonza, cardeal Karl Lehman, a uma rádio germânica, no sábado: "O papa deve ter a coragem de dizer que não pode mais continuar em suas funções", disse o cardeal.

Numa frase interpretada como resposta a Lehman, o João Paulo dissem ontem, que "Deus não nos pede nunca o que não podemos fazer, ao contrário, nos dá a força para fazer o que espera de nós". A declaração foi dada durante seu discurso aos embaixadores dos 170 países que têm relações diplomáticas com a Santa Sé. A entrevista do bispo sobre uma possível renúncia de João Paulo II criou polêmica e fortes reações no clero e nas autoridades políticas italianas.

"Foi um equívoco", disse Lehman à TV italiana, ontem, afirmando que na entrevista havia dito, ao contrário, que durante o sínodo dos bispos da Europa, em outubro, encontrou o santo padre em boas condições. "Disse apenas que se fosse necessário, e ninguém de fora pode prevê-lo, o papa poderia até renunciar, que a igreja oferece - na fé e no direito, tal possibilidade."

Equívoco ou não, diante das declarações e enormes reações às palavras do bispo, reabre-se o debate sobre as condições de saúde de João Paulo II - cansado e com dificuldades de fala e locomoção. E com ele as discussões sobre a sucessão e os rumos que tomará a igreja católica: centralismo ou colegialidade em sua administração, como propõe o episcopado alemão?

_________________________________________


Jornal do Commercio
Recife - 11.01.2000
Terça-feira