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Baixa estima S.A. No Brasil, até os canarinhos desafinam, suspira João Gilberto, cantor do Desafinado. Já repararam que o mapa do Brasil lembra uma cabeça enterrada, com todo o avestruz de fora? É o que deixou gravado o poeta Paulo Mendes Campos. O Brasil ainda corre o risco de converter-se no país mais ocidental da África, adverte Antonio Delfim Netto, arquiteto aposentado do milagre brasileiro (milagre é efeito sem causa). Hei de fazer do Brasil a nação líder dos países pobres pontifica o tetrapresidenciável Luís Inácio Lula da Silva. Yes, somos os campeões mundiais da baixa estima nacional bruta, constatam o economista Fábio Giambiagi e o cientista político Bolivar Lamounier. Num ensaio a quatro mãos para a revista Exame (3/11/99), eles examinam um fenômeno relativamente recente: a fracassomania da grande maioria dos brasileiros de todos os naipes. BODE EXPIATÓRIO A mídia coisa-preta, ainda com remorso cívico dos tempos da mídia chapa-branca, simplesmente reflete (na cobertura cotidiana da catástrofe verde-amarela) o estado de espírito acabrunhado de um povo que já foi carnavalesco e futeboleiro a troco de nada. O derrotismo coletivo, assim refertilizado, resulta de duas atitudes culturais, segundo os autores: a) a nova obsessão pelos fiascos da brasilidade; b) o velho coitadismo de eleger bodes expiatórios internos e externos para todas as nossas aflições e omissões. O novo bode expiatório, do tamanho de um mastodonte desembestado, é a tal de globalização, fantasiada de neoliberalismo, que ninguém sabe dizer o que realmente significa. Pois dizem que esse disco voador nada mais é que a forma superior do imperialismo capitalista pós-Muro, maquinado no salão oval da Casa Branca. Como se o brasileiro tivesse sido um povo de bem com a vida até novembro de 1989. Sem miséria, sem violência, sem corrupção, sem inflação, sem recessão, sem desemprego, sem desgoverno. LADO POSITIVO Para Giambiagi e Lamounier, a questão não é a de minimizar nossos problemas, mas a de cobrar mais atenção dos formadores de opinião para os aspectos positivos da vida e do caráter do brasileiro. Afinal, a verdade sociológica não é branca nem preta, sempre foi cinza, já ensinava o cáustico Thorstein Veblen, no distante 1904. O enfoque também do lado positivo das coisas tornou-se uma necessidade biológica para o Brasil 2000, sustentam Giambiagi e Lamounier. A menos que deixemos rolar a cultura do perdedor num mundo em que só países com cultura de vencedor realizam o reino dos céus aqui neste vale de lágrimas. O Brasil persegue quem trabalha e enxovalha quem triunfa, costumava dizer Antonio Carlos Jobim, o músico brasileiro mais festejado do século fora do Brasil. Americanos |
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