LG_jc.gif (3670 bytes)


PINGA FOGO
Inaldo Sampaio*

A máquina e os prefeitos

Ao contrário do que aconteceu nas eleições gerais de 1998, os candidatos à reeleição já começam a se sentir vigiados de perto pela opinião pública, preocupada com o uso dos recursos públicos para garantir a vitória deste ou daquele prefeito. Em 98, com a reeleição do presidente da República e a recandidatura de governadores, o País não articulou um discurso crítico contra o possível uso da máquina de governo nas campanhas. O instituto da reeleição ainda era coisa nova e suas implicações não eram bem visíveis. Mas, agora, nas eleições municipais do ano 2000, as coisas se mostram diferentes.

Talvez cientes disto e já notando a atenção geral para o que venha a ocorrer, os prefeitos (a maioria esmagadora deles quer se reeleger) andam cautelosos, alguns procurando mostrar, desde já, que seus municípios estão transparentes, cristalinos diante da Justiça eleitoral, completamente de bem com a opinião pública. O município de Pesqueira, por exemplo, tem um orçamento de R$ 18 milhões para este ano e seu prefeito, o tucano Eutrópio Monteiro Leite, que quer se reeleger, jura que os recursos municipais são "bem vigiados e a justiça garantirá o cumprimento da lei eleitoral".

Prefeitos das cidades de porte médio apressam-se em garantir que seus municípios estão sob controle social, como garante o prefeito de Caruaru, João Lyra Neto, outro desejoso de se releger. Crê que a questão do uso da máquina é eminentemente ética e que deve-se levar em conta um pré-requisito importante na discussão do assunto: o índice de aprovação nas pesquisas. Lyra estaria com 46% de aprovação e só 12% estariam julgando ruim sua gestão. Quem continua mal nas sondagens, que esqueça a reeleição. A idéia é simples, mas pouco prática diante da ambição eleitoral de muitos.

Os precatórios

Ausente da Assembléia durante a polêmica votação do Funape, o petista Paulo Rubem Santiago passou o final de ano no Canadá. Mesmo longe, soube da decisão federal em assumir a dívida dos precatórios e não perdoou: "Agora os arraesistas vão rir e dizer que a operação tinha sido lícita, porque até o Governo Federal avalizou a negociação, mesmo com o Banco Central e o Ministério Público denunciando-a como criminosa".

Fundef 1

Baseados em relatório de auditagem do TCE, vereadores tucanos de São Caitano acusam o prefeito Esmeraldo dos Santos (PFL) de desviar R$ 79,2 mil e mais 66 mil UFIRs do Fundef, gastos em "buffet, refeições e tocatas", entre outras despesas sem fim educacional. O relatório, de novembro passado, é assinado pelo auditor Eduardo de Melo.

Fundef 2

O relatório está sendo divulgado pelos tucanos Ariberto de Matos, José Florêncio, Josael Lima, Geraldino da Silva e pelo candidato a prefeito, Jeovásio Almeida Lima. Apesar da terem por base documento do Tribunal de Contas, os acusadores não negam que este é o primeiro lance da guerra aberta pela sucessão municipal.

Abertura das sessões extraordinárias

A Câmara recifense abriu, ontem, o período extraordinário convocado pelo prefeito para votar, a partir de hoje, cinco projetos de lei. Cada vereador receberá um salário (R$ 4,5 mil) pela convocação.

Maciel começa 2000 bem otimista

O vice-presidente Marco Maciel inspirou-se nos erros das previsões para 99 e desfechou um ataque aos críticos da política econômica. "Os pessimistas não terão vez em 2000", proclamou.

Anti-Inocêncio

Durou nada menos que 20 minutos a caminhada do deputado Severino Cavalcanti (PPB) do plenário até o restaurante da Câmara Federal, ontem na hora do almoço. Ele parou seguidas vezes para cumprimentar parlamentares, prosseguindo com sua campanha para a presidência da mesa, contra o também pernambucano Inocêncio Oliveira (PFL).

Jesus garante

O deputado Marcos de Jesus garante que o TSE anulou sua expulsão do PST estadual. Jura que foi vítima de uma conspiração "nas caladas da noite de Natal" e que seu nome já anda incomodando por aí. Afirma que os inimigos no partido não passaram de 10 Judas Iscariotes. Jesus foi expulso do partido também por decisão da executiva nacional.

São pelo menos oito os municípios onde o deputado Guilherme Uchôa (PMDB) assegura que vai conseguir fazer prefeitos nas próximas eleições: Aliança, Agrestina, Araçoiaba, Igarassu, Itapissuma, Ipojuca, Sertânia e Salgadinho. Como se não bastasse, Uchôa prepara-se para soltar foguetes com a reeleição dos prefeito em Abreu e Lima, Itamaracá e Calçados. Tudo isso sonhando com a Câmara Federal. "É esperar pra ver!", aposta ele.

O novo presidente do CREA, Telga Araújo, deixou de lado a comemoração de sua posse, em razão dos desabamentos de edifícios em Olinda, com várias mortes. Diz que, antes de tudo, é preciso saber as causas da tragédia e resgatar a credibildiade da profissão. Enquanto isso, o vereador Marcelo Santa Cruz (PT), presidente da Comissão de Defesa dos Direitos Humanos da Câmara olindense, promove debate sobre os desabamentos, amanhã, às 9h, no Hotel 7 Colinas, na ladeira do São Francisco.

* Sérgio Augusto Silveira - Interino
politica@jc.com.br


Jornal do Commercio
Recife - 11.01.2000
Terça-feira