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Regina Pitoscia

Alta de 4,37% na Bovespa

A Bolsa paulista voltou a mostrar fôlego ontem, fechando em alta de 4,37%. Com essa valorização, o IBovespa atingiu 17.022 pontos, e a perda no ano foi quase zerada, encolhendo para 0,40%. A demada expressiva de investidores estrangeiros por American Depositary Receipts (ADRs, recibos lastreados em ações) de empresas brasileiras negociados na Bolsa de Nova Iorque, principalmente do recibo de Telebrás, contribuiu para a valorização do IBovespa. A migração dos recursos domésticos das aplicações de renda fixa para os fundos de renda variável também ajudou a Bolsa paulista. O mercado de câmbio também teve um dia positivo. O dólar fechou a R$ 1,815, em queda de 0,77%.
O diretor de Renda Variável do Lloyds Bank, Pedro Thomazoni, explica que, quando aumenta a procura por ADRs de recibo de Telebrás, os bancos brasileiros vendem esses papéis na Bolsa de Nova Iorque e compram ações na Bovespa, fazendo a arbitragem entre os dois mercados. Com isso, a alta do ADR no mercado nova-iorquino faz com que as ações brasileiras se valorizem. Os investidores estrangeiros preferem comprar ações brasileiras em Nova York porque é mais barato do que adquiri-las na Bovespa, principalmente por conta da CPMF. O recibo de Telebrás subiu 6,02%, negociado por R$ 228,90 o lote de mil.

Thomazoni diz ainda que a migração de recursos da renda fixa para a renda variável empurra a Bovespa para cima. Esse movimento, que está ocorrendo de forma gradual, aumenta a demanda por ações. O volume negociado ontem no mercado paulista foi razoavelmente expressivo, somando R$ 873,7 milhões.

O dólar teve um dia muito tranqüilo, operando o dia todo em queda. Segundo operadores, um grande banco estrangeiro teria vendido cerca de US$ 150 milhões no mercado, o que contribuiu para o recuo da moeda norte-americana. Um profissional de um banco estrangeiro atuante nesse mercado disse que a demanda por hedge (proteção) cambial por parte das empresas está diminuindo, pois os analistas não apostam na alta expressiva do dólar. O mais provável é que a cotação fique entre R$ 1,80 e R$ 1,85.

TENDÊNCIAS – Taxa efetiva projetada pelos contratos futuros de juro para este mês manteve-se em queda, desta vez, de 1,46% para 1,45%; para fevereiro, as apostas são de estabilidade em 1,48%; para março, de queda de 1,52% para 1,51%; e para abril, de 1,42% para 1,39%.

Dólar futuro, em relação à cotação à vista do comercial, de R$ 1,815, aponta queda de preço, apesar das apostas de alta de 0,57%, para R$ R$ 1,8254, até o fim do mês; e de 1,38%, para R$ 1,84, até fim de fevereiro.

RENDA FIXA – Pela taxa máxima, o CDB rendeu 19,80% ao ano, ou rendimento bruto de 1,52% e líquido de 1,21%. No curto prazo, o BC atuou duas vezes no mercado. Na primeira, tomou dinheiro emprestado aos bancos para quinta-feira pela taxa over de 18,91%; na segunda, tomou recursos para amanhã, pela taxa over de 18,89%.

Ouro
O ouro movimentado na BM&F fechou o pregão cotado por R$ 16,69, em queda de 0,95%. O volume negociado foi de 133 kg. No mercado de Nova York, na Comex, a onça-troy (31,104 gramas) de ouro foi cotada por US$ 281,70 nos contratos para liquidação em janeiro.

Dólar
O dólar comercial fechou em baixa de 0,77%, cotado por R$ 1,813 para a compra e por R$ 1,815 para a venda. Segundo operadores, um banco estrangeiro vendeu US$ 150 milhões, o que contribuiu para a queda. No paralelo, queda de 1,37%, com o dólar cotado por R$ 1,92 para a compra e por R$ 1,943 para a venda.

Bolsas
Entre as ações que fazem parte do IBovespa, as que tiveram maior alta foram Duratex PN, 10,7%; Companhia Vale do Rio Doce PNA, 10,3%; Usiminas PNA, 10,3%; Eletropaulo PN, 8,6%; e Telesp PN, 8,1%. As maiores baixas: Ipiranga Petróleo PN, 2,9%; Copesul ON, 2,7%; Cemig PN, 2,3%; Light ON, 1,4%; e Souza Cruz ON, 0,1%.


Jornal do Commercio
Recife - 11.01.2000
Terça-feira