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MÚSICA
A caipiríssima que só os gringos vão provar

por Schneider Carpeggiani

Tum-tum-tum funciona na terra do ziriguidum? Até o começo da década de 90, a resposta seria não. Mas com as maiores facilidades de se conseguir informação e tecnologia que surgiram nos últimos anos, o brasileiro tem mostrado que, sim, sabe fazer música eletrônica de qualidade. Atualmente, já contamos com selos especializados (MMM, da Sony, e Sambaloco, da Trama), DJs alçados a categoria de estrelas, com direito a convites para shows na Europa (Marky e Patife, atrações do próximo FIG, são apenas alguns nomes) e até mesmo compilações voltadas a atender o mercado externo. A mais recente delas é Caipiríssima, da gravadora americana Caipirinha Music, que conta com a participação de três nomes pernambucanos: Mestre Ambrósio, DJ Dolores e CYZ – ou melhor dizendo Cynthia Zamonaro, uma olindense residente em Portugal.

O elenco de artistas presentes em Caipiríssima (sua capa e encarte são marcados por fotos do maior cartão-postal do Brasil, o Rio. Bem export mesmo) é centrado na facção de música eletrônica brazuca que mistura os ritmos daqui com os de lá de fora. O que faz com que as faixas chamem atenção ao público também ligado à world music. O melhor exemplo disso é a inusitada colaboração de Suba com o Mestre Ambrósio, em Púpila Dilatada. Isso sim é que é um ‘forró eletrônico’ de fato.

As canções do CD foram compiladas por Béco Dranoff, um brasileiro residente em Nova Iorque, responsável pelo selo Zeriguiboom, da gravadora belga Crammed. “Caipiríssima foi selecionado com o objetivo de dar ao público internacional uma perspectiva atual do que está sendo produzido nesse gênero no Brasil. Tentamos colocar um pouco de cada tendência sonora: trip hop, ambient, techno e algumas que são difíceis de categorizar”, explicou Beco em entrevista por e-mail.

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Jornal do Commercio
Recife - 11.07.2000
Terça-feira